12 setembro 2007

O livro de cabeceira.

(...) Falámos demasiado para que eu esqueça do que falámos, vivemos demasiadas vidas para que eu as possa separar. Para que eu me possa separar de ti. A memória tende a desfibrar-se, víscera velha, nesta condição a que chamei apenas imaterial para não te assustar. Vejo tudo, continuamente. O espetáculo da vida interfere com a minha deambulação ao passado. (...) Qualquer dia olho para ti e já não sei quem fomos - encontros, desencontros, iras, ressentimentos, tudo se transforma numa massa fosca, pesada, que tento abandonar a pouco e pouco. (...) Começo a ver-te fora do tempo, esforço-me muito para recapitular o que me traz aqui, quase sobre o teu ombro. Inclino-me sobre a tua cabeça mas não consigo decifrar o teu pensamento. (...) O estado em que me encontro é angustiante: como se vivesse em sonolência diante de um filme que já não posso recriar, vendo tudo: o passado e o futuro - que afinal são um só - e aprendendo demasiado tarde o que não fui capaz de ver. Deve ser isto o limbo. (...) Precisava escangalhar o teu coração para fazer encaixar o meu. E agora tenho de o desencaixar outra vez para sair deste limbo. Mas não sei como. Sem o teu coração não consigo amar. Logo eu, que amava o Mundo inteiro, não é? Amar em abstracto é muito mais ágil do que amar em concreto. (...) Nós éramos um do outro. (...)
in Fazes-me Falta, Inês Pedrosa

16 agosto 2007

I'm not like all the other girls
[I can't take it like the other girls]
that you used to know.

let's pretend happy end.

08 agosto 2007

Triste é o virar de costas, o último adeus.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.

Despedir-me de ti: "Adeus, um dia, voltarei a ser feliz."

03 agosto 2007

Tudo o que eu vi estou a partilhar contigo
O que não vivi hei-de inventar contigo
Sei que não sei ás vezes entender o teu olhar
Mas quero-te bem.
Encosta-te a mim...

Jorge Palma

Quando nada faz sentido.

25 julho 2007

"Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na justa medida, no momento certo, pela razão certa e da maneira certa - isso não é fácil."
by Aristoteles

27 junho 2007

"Tenho aflição por toda a ausência não anunciada (...)"
Daniel Faria
Quero-te dizer uma coisa simples: a tua ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, por isso, de deixar alguns sinais - um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos. São estas as formas do amor, podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples também podem ser complicadas, quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade. Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a realidade aproxima-me de ti, agora que os dias correm mais depressa, e as palavras ficam presas numa refracção de instantes.
Não sei se noutras culturas o pensamento é o mesmo ou se a mentalidade já superou as tradições que se colam a gerações e gerações sem que ninguém as questione. Mas por cá sempre me impingiram a ideia de que o tempo resolve tudo. Utopias. É o hábito que engana aquilo que o tempo julga resolver: há falta de uma cama há sempre o chão. Mas quando o chão me foge apercebo-me que o tempo, afinal, não cura nada. Afunda o ímpar no quotidiano, como se os dias se mordessem de fúria, qual deles o mais saudoso de coisa nenhuma. E realmente vou-me domesticando à ideia da perda, da saudade miudinha que não morre, apenas se veste da pele tornando-se banal demais. É por isso que ao fim de meses, achamos que afinal o tempo resolveu e nada sangra como dantes. É já banal o hábito. A dor. Depois ela vai, estreita. Amanhece na pele como a ausência depois do beijo. E depois tu. E é sempre do mesmo lado que te encontro: o lado esquerdo do peito... Afinal o tempo não resolveu os teus olhos dentro dos meus.
Respiro e dói, escrevo e dói, tenho-te e acaba-me. O silencio impossível e nem assim, porque maior é o desespero. E dizes-me que vai passar. E não passa. E destrói. E mata.
Dou por mim em ti inúmeras vezes. Um golpe mais fundo de estrada e o desvio para os braços que me adormecem sem querer. Dou por mim em mil tempos à procura de um canto que me tenha longe da tua voz. E isso faz-me querer ir. Arrancar o que me dóis e partir estrada dentro do desejo. Rematar a diferença que morre comigo em guerra aberta, umas vezes mais agreste, mais difícil.
E ontem fui. Já tinha saído para o mundo e tu de novo nos meus braços. Esse abraço forte e fugidio que é o cheiro da minha pele. Depois chegaste e eu não queria. Queria muito, mas não consigo. Por isso esqueço-te. Finjo. Porque me dóis, porque me és urgente e eu não posso saber de ti. Sei demais. Sofremos juntos o mesmo adeus.

Tira-me daqui.
Posto isto surges e afinal és tudo ainda.
Vai.
Por favor.

17 junho 2007

The more you trust and open yourself to another, the more power you give the other to deeply hurt you. With great power comes great responsability.
Spiderman quote
So DAMN true.

03 abril 2007

É oficial...

PERIGO AO VOLANTE! :)

31 março 2007

A minha vida é um carrossel

de emoções e sentimentos.

30 março 2007

Posso?

Olhar para dentro do teu coração e ver se as nossas almas ainda estão de mãos dadas, ambas com medo que a fugacidade da vida e a brevidade do tempo nos leve para longe um do outro e fique tanta coisa por dizer, ou partilhar... ?

28 março 2007

10 Things I Hate About You


"I hate the way you talk to me.

And the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car.
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots.
And the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick
- it even makes me rhyme.
I hate the way you're always right.
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh
- even worse when you make me cry.
I hate it when you're not around.
And the fact that you didnt call.
But mostly I hate the way I don't hate you
- not even close,

not even a little bit,
not even at all."

25 março 2007

No Limite

Só quero arrumar numa gaveta as fotografias e os teus retratos de mim. Fica o cheiro dos dias vazios nos braços um do outro, fica o calor do teu cigarro nas páginas do meu livro.
You've been playing bowies with me, haven't you?

01 março 2007

Perfect Proposal

Look, I guarantee there'll be tough times. I guarantee that at some point, one or both of us is gonna want to get out of this thing. But I also guarantee that if I don't ask you to be mine, I'll regret it for the rest of my life, because I know, in my heart, you're the only one for me. Marry me!
in Runaway Bride

19 fevereiro 2007

O que é que acontece quando alguém nos desilude ao ponto de perdermos a confiança que depositavamos nessa mesma pessoa?

"Até ao dia em que uma pessoa se cansa (...) e diz agora basta. Basta de espera, de abnegação, de sonhos, de palavras mágicas e inconsequentes. Basta de promessas de amor, de castelos de areia, de adiamentos e hesitações, de ausências e de dúvidas."

São aqueles que mais gostamos, que maior capacidade têm de nos magoar.

Agora basta.
Até quando?

11 fevereiro 2007

Para que conste:

a mim, só me mentem uma vez.

06 fevereiro 2007

- Há várias formas de levar uma relação para a frente – dizia o Luís enquanto preparava uma sanduíche de queijo e fiambre, depois de chegarmos da praia. – Eu, por exemplo, ponho-me a jeito e deixo-me ir. O tempo vai-me dando indicações subtis se de facto um entusiasmo inicial pode ou não levar a qualquer coisa mais consistente, e nem sequer penso o que é que vai ser. A isso, os Americanos que têm grande sentido prático e são bons em expressões chamam dar um Let Go. Mas tu não. Tu passaste a vida a carregar pianos.
- Pois passei. A vida toda. Desde o dia em que me apaixonei pelo palerma da terceira classe, depois pelo primo direito da minha amiga Paula, depois pelo Miguel que não me ligava nenhuma e passava o tempo a jogar futebol e ténis. E depois, por mais meia dúzia de caramelos a quem tive o azar de achar alguma graça. Paixões de adolescência. Começam do nada e acabam em nada porque nada valem, a não ser enquanto duram, às vezes com a vida mais curta do que uma mosca. Paixões impossíveis, que nos tiram o sono e o apetite, nos põem a contar as estrelas e a escrever poemas pirosos, nos fazem rezar mesmo quando já deixámos de ir à missa desde os doze anos, nos adoçam o coração e o olhar e enchem a almofada de água salgada quando as coisas correm mal, ou pior ainda, não correm.

Depois uma pessoa cresce e habitua-se a sofrer. A esperar. A sonhar um bolo gigante a partir de três migalhas. A acreditar no impossível. A desejar o impensável. A querer que aqueles que amamos nos tragam o mundo numa bandeja. A isto chama-se carregar pianos. Até ao dia em que uma pessoa se cansa, baixa os braços, olha para o piano, encolhe os braços e diz agora basta. Basta de espera, de abnegação, de sonhos, de promessas, de palavras mágicas e inconsequentes. Basta de promessas de amor, de castelos de areia, de adiamentos e hesitações, de ausências e de dúvidas. E depois, o mundo vai abaixo. As casas, os prédios, as pontes, tudo se desfaz num estrondo imenso e assustador, que faz quase tanto barulho como um coração a bater com a porta. E como é o nosso coração que está a bater a porta, ainda custa mais.

E sentimo-nos a desmanchar por dentro. Não é a partir, é só a desmanchar, como se nada tivesse forma ou fizesse sentido. E o piano está ali mesmo em frente, à espera de ser carregado. Dá vontade de pegar num martelo e de o destruir de raiva. Dá vontade de o abrir e tocar meia dúzia de notas. Dá vontade de descansar sobre ele e falar-lhe baixinho, ao ouvido das cordas, para lhe explicar o que se passa. Que o cansaço já está acima do sonho, que o medo está acima da força, que a vontade comanda a vida, mas não o amor. Explicar que o tempo há-de trazer nos ventos a indicação de um caminho qualquer para onde o piano possa ir sem ser carregado.
Carregar pianos. Escada acima, quatro andares sem elevador. As costas doem, os braços tremem, as curvas na escada são uma equação impossível de resolver. Tudo é difícil. Tudo é esforço. Tudo é inglório. E o amor transforma-se numa luta, num sacrifício, somos mártires da nossa loucura, flagelados pela nossa obstinação e teimosia. E o pior é que, quando chegamos ao fim da batalha e o piano está lá em cima, não era naquela sala, nem naquela casa, nem era aquela pessoa.
Carregar pianos. Para quê, se quase todos têm rodinhas? Não é desistir, é só mudar de vida e esperar que ela nos traga o(s) que mais precisamos, sem partir as costas nem torcer os braços.
E geralmente até traz.

29 janeiro 2007

Laranjas no ar

Pega no telefone e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são secos, frios e áridos, como um deserto imenso, sem oásis nem miragens, sempre que não estão juntos. Pega no telefone e liga-lhe. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele. Não te alongues nem elabores, os homens nunca percebem o que queres deixar cair nas entrelinhas. Tens de ser clara, directa, incisiva. E não podes ter medo, porque o medo é o maior inimigo do amor. Cada vez que deixares o medo entrar-te nas tuas veias, ele vai gelar-te o sangue e paralisar-te os nervos, ficas transformada numa estátua de sal e morres por dentro.
A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias? Nunca se sabe como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo: pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele te vai ajudar, tenho a certeza que ele, à sua maneira - e é tão estranha a forma como os homens gostam de nós - ainda gosta de ti. Mesmo que já não te ame, ainda gosta de ti, como tu vais aprender a gostar dele, quando a vida te obrigar a desistir deste amor. Ele está longe, mas olha por ti por entre memórias, presentes e flores. À noite, entre sonhos alterados pelo álcool, tu apareces-lhe na cama e ele volta a sentir o cheiro da tua pele e volta a amar-te com todas as suas forças. Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro.
Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, qual malabarista exausto, sem saberes nem como nem quando elas vão cair. Mais vale chorar a tristeza de um amor perdido do que sonhar com um oásis que se transformou numa miragem.
Pega no telefone e liga-lhe. Liga as vezes que forem precisas até conseguires uma resposta, a paz de uma certeza, mesmo que essa certeza não seja a que desejavas ouvir. Mas não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão. O circo é para quem não tem casa nem país, não é vida para ninguém. Guarda as laranjas num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa. E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho.
Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo.

In Diário da tua ausência,
Margarida Rebelo Pinto

Escreveste-o para mim, não foi Margarida?
[Que fazer? Estou naquela fase a puxar para o romance piroso! É de cordel, eu sei, um cordel muito Moda Lisboa, muito Cascais e Foz, muito somos chiques e temos imenso visa. Mas hoje, sem duvida que encaixou!]

26 janeiro 2007

Estado de Espírito:

Irremediávelmente TRISTE e tao FARTA...

22 janeiro 2007

Nem toda a distância é ausência.
Nem todo o silêncio é esquecimento.
10 dias.

17 janeiro 2007

E depois há aqueles que, tão cheios de nós, nos pressentem mesmo longe. Mesmo sem nós pedirmos ou querermos – porque ás vezes sabe bem guardar(-nos) e esconder as fragilidades - decifram os nossos detalhes e desenham-nos sorrisos.

16 janeiro 2007

De há uns meses para cá, eu sou só SAUDADES.
tuas.
- Não podes ver, é só meu!, dizia ela, agarrando com força o pequeno baú trancado a sete chaves.
- Mas nós somos melhores amigos, e a minha mãe disse-me que quando assim é não há segredos.
- Então mentiu-te. A minha sempre me ensinou que os melhores amigos não existem. Um dia estão contigo e no outro já não querem saber de ti.
- Mas eu estou contigo todos os dias.
- Naquela tarde, quando caí da bicicleta, não...!
- Já era tarde e eu tinha que ir fazer os T.P.C's... mas levei-te no coração...!

- ... E se eu te disser que o baú não tem nada?
- Eu acredito.
- Então fica o nosso segredo?

13 janeiro 2007

Perguntou para não lhe pesar a consciência:
- Como estás?
Mais uns segundos, e insiste:
- Como estás?!
- Cheia de R-a-i-v-a!, gritou ela. E logo a seguir soltou um suspiro desesperado. Depois foi o silêncio. Silêncio ensurdecedor. Ele ia abrir a boca de novo, mas ela logo a tapou com a mão suada, em forma de concha.
- Não digas mais nada.
- Mas…
-Por favor…, suplicou com as lágrimas quentes a encherem-lhe os olhos. Ele tentou agarrá-la pelo braço, mas ela empurrou-o. Corou. E, num soluço tímido, virou costas. Virou costas, e nunca mais regressou àquele lugar só deles. “Nunca, nunca, nunca…”, ecoa no velho relógio da memória.

07 dezembro 2006


When you kissed me
you seduced me forever.
And forever
means for ever&ever
into my little world.

22 novembro 2006

Lembras-te de quando, no sábado à noite, chegámos "a casa" e nos aninhamos no sofá? Não me recordo as horas ou sequer os minutos que os ponteiros marcavam... mas já devia ser tarde: contigo o tempo voa. É sempre assim quando os momentos têm consistência e as pessoas substância.
Descansei tranquila, embalada pela luz da televisão e o calor do teu corpo abraçado ao meu peito. Nessa noite não houve teorias para explicar os arrepios. Não houve equações que complicassem e me fizessem afastar desse estado pleno. Só a química, tão pura e simples. E a doçura do teu adormecer, em mim.
O Tu e o Eu perfeito.
Guardo o momento. [Tal como guardo cada beijo que sai da tua boca de encontro à minha…] O teu cheiro era o meu cheiro e eu fiquei ali a observar-te - completa - e assim ficarei por todo o tempo que te conseguir sentir. E eu sei que vai ser para sempre.
Enquanto me deixares aninhar-te ao meu colo, irei tornar o teu sorriso certo.
Prometo.
"- Vamos dormir bebé?"
Lembras-te?

27 junho 2006






SHE








can be the girl of your dreams.

14 junho 2006

Quando já nada é intacto
Quando tudo na vida vem em pedaços
E por dentro me rebenta um mar.
Quando a cidade alucina
Num luar de néon e de neblina
E me esqueço de sonhar.
Quando há qualquer coisa que sufoca
E os dias são iguais a outros dias
E por dentro o tempo é tão voraz.
Quando de repente num segundo
Qualquer coisa me vira do avesso
E desfaz cada certeza do meu mundo.
Mafalda Veiga, Quando.
.tão verdade.

13 maio 2006

People don't know how to love. They bite rather than kiss. They slap rather than stroke. Maybe it's because they recognize how easy it is for love to go bad, to become suddenly impossible... unworkable, an exercise of futility. So they avoid it and seek solace in angst, and fear, and aggression, which are always there and readily available. Or maybe sometimes... they just don't have all the facts.
The Upside of Anger (2005), Mike Binder

09 maio 2006


Tens fios de mais a prender(-TE) as cordas.
Tens riscos de mais a estragar(-ME) a tela.
[Toranja]
Melhor assim. Let it die.

03 maio 2006

- Eu gosto MESMO dele, não percebes?!

- Percebo, claro que percebo! Tu é que parece que não Margarida!

- É incrivel... Já reparaste que de toda a vez que conheço um Homem interessante, tu acabas sempre por deitar todos os meus sonhos por terra?

- Não me faças rir, sabes perfeitamente que aquilo não é um Homem... já olhaste bem para aquela carinha de bebé? Aposto que por baixo daquelas sweats à puto surfista nem um único pêlo no peito ele consegue ter!

- Não sejas assim Bia... o Francisco é diferente.

- Claro que é diferente: tem 18 anos! Aí reside toda a diferença! De resto, deve ser em tudo igual aos outros que passaram pela tua vida. Eu só estranho é o facto de tu, inteligente como és, te deixares levar no que toca a assuntos do coração! Queres que contabilize as quedas que já deste?

- Não... eu sei bem que não tenho tido sorte.

- Sorte? Eu chamava-lhe antes pontaria.

- Porque é que és assim? Caramba Bia, eu só quero ser feliz!

- E não é o que queremos todos? Só que tu estás a ir de novo (!) pelo caminho errado. Será que não vês o óbvio? Tu és girissima, tens um corpo de fazer inveja a qualquer miuda da idade dele, tens carro, dinheiro q.b., casa própria e um emprego fantástico... o que é que ele podia querer mais?

- Podia querer isso tudo, mas não... ele disse-me que queria ser feliz comigo, para sempre.

- Para sempre? Oh Guida... desconfiava que as coisas estavam mal, mas nunca a este ponto. Sabes até quando é que é o “para sempre” dele? Até ele se fartar! Até as coisas entrarem numa rotina chata e ele não querer saber mais de ti... Afinal de contas ainda tem a vida toda para se preocupar com compromissos! Mas espera... e tu? Por quanto tempo é que achas que vais aguentar tomar conta de criancinhas?

- Estás a ser cruel Bia, independentemente de seres minha amiga eu não te admito que me fales nesse tom, especialmente quando estamos a falar do Chico! Ou queres que dê a volta à conversa e comece a falar sobre ti?! Hãn?!!

- A minha vida não é para aqui chamada. O que eu quero dizer é que ás tantas vais chegar a um ponto que te vais cansar de o ouvir falar em pranchas de surf, em como precisa mesmo de comprar um chop e um deck novo... E depois, como é que vai ser? Com quem é que vais falar sobre as cheias na Sibéria? Sobre o novo livro do Paulo Coelho? Sobre as tuas ideias para as novas campanhas publicitárias de determinada empresa? Sobre o último CD do Rodrigo Leão? Sobre aquele musical fantástico que está no D.Maria...? Com quem? Explica-me.

- Eu estou farta dessas tretas! Estou farta de viver agarrada aos mesmos gostos monótomos que tenho vindo a cultivar de há 24 anos para cá! O Chico dá-me vontade de viver! Não imaginas os fins de tarde fantásticos que temos tido na praia... e para que saibas eu até já me consigo por de pé em cima de uma pracha!

- Fantástico Guida, só por isso acho que já vale mesmo a pena acreditar no vosso “nós”. Mas realmente, agora pensando bem... eu é que estou a ver as coisas pelo lado errado, eu é que sou a má da fita! Não é?

- Não, claro que não. És minha amiga... a minha melhor amiga, e tens medo de me ver sofrer de novo por um palhaço qualquer.

- Como aconteceu com o teu ex, por exemplo.

- Sim, mas esse era diferente.

- Mau... esse também era diferente?

- Não é isso... o António sabe muito. Com aquela aparência fragil e..

- Aparência frágil? Vamos chamar as coisas pelos nomes: ele era feio como tudo Margarida!

- Sim... mas o pior foram mesmo as promessas, para dois meses depois acabar tudo, sem explicar sequer porquê.

- Ora porquê... porque queria passar uns bons momentos, e tu apareceste-lhe certeira, á hora errada e no sitio errado. Mas esquece isso, esse há-de ser infeliz para toda a vida... de certeza que a esta hora já encontrou uma Mulher que lhe faz o mesmo que ele te fez a ti e pronto, ficam as contas ajustadas! Além de que... se estraga só uma casa!

- És mesmo tonta... Só tu!

- Mas voltando à "vaca fria"... se tu e o Francisco estão assim tão apaixonados... porque é que não assumem tudo? Porque é que não namoram de vez?

- Porque ele diz que tem medo...

- Medo?? Oh Margarida, tou farta desta história! Isto é ridiculo!

- Farta estou eu que te metas na minha vida e te aches assim tão importante para julgares o que faço ou que deixo de fazer e com quem! Isso é tudo inveja? É? Vá, diz lá...

- Não...

- Ah não é? Então é o quê? Também querias ter alguém que gostasse de ti como o Chico gosta de mim, porque desde que te divorciaste nunca mais conseguiste encontrar ninguém! Sentes-te sozinha e infeliz e também queres que eu me sinta assim, não é?

- Não, não é...

- Então é o quê? Diz lá, vá! Porque é que de repente te calaste?

- Por nada, tu depois vais perceber...

- Porra! Não tenho paciência para isto, não tenho paciência para ti, não tenho paciência para os filmes que tu fazes! Ridicula és tu e ...

- PÁRA! Pára antes que te arrependas do que vais dizer e depois não há mais volta a dar.

- Eu só vou parar quando tu parares de te meteres onde não deves...

- E eu só vou parar quando te vir feliz!

- Mas eu estou feliz Bia!

-
Estás feliz com um gajo que te diz que fica em casa a estudar e depois vai para o bairro alto comer pitas de 16 anos? Qual é o medo dele? De um dia ser apanhado?...

- ...

- ... Desculpa. Eu sei que havia maneiras mais simpáticas de te dizer isto, mas não consegui controlar-me... Desculpa querida, desculpa.

- ...

- ... Desculpa por ainda não ter sido desta, mas prometo que está para breve a chegada do teu príncipe. Prometo amiga.
Prometo.


27 abril 2006

"A gente não faz amigos, reconhece-os."

Vinicius de Morais

12 abril 2006

Depois de quase duas horas de trânsito infernal na segunda circular, chego finalmente a casa.
Acendo as luzes, atiro a mala para cima do sofá e dirijo-me ao quarto. A cama, essa, ainda está por fazer. Dispo a roupa que trasanda a cansaço e, em passos demorados, desloco-me até à banheira - preciso de um banho quente, relaxante, como só quando estamos no nosso canto podemos ter.
Tudo seria perfeito se os meus sentidos não fossem despertos pelo toque estridente da campainha. Enquanto visto o roupão vou rogando pragas, entre dentes, à vizinha do segundo frente que – de certeza! – me vem fazer novamente queixas do seu “hômên”, retorquindo que este já não dorme em casa hà mais de quinze noites. [Ok, eu percebo que ela esteja doente e que os sintomas se tenham agravado com a morte do marido, mas já lá vão cinco anos caramba!]
Tocam de novo.
Só agora estou suficientemente alerta para descodificar a confusão em que deixei a sala quando saí de manhã, no entanto não o bastante para a arrumar. Limitei-me a ignorá-la: espreitei pelo orificio da porta e não vi ninguém. Pela fresta da mesma surge um pequeno papel branco com algumas letras cuidadosamente desenhadas a preto: “Ás 21, no teu lugar preferido.”
Deixei cair o papel no chão e a todo o custo, entre medos e anseios, tentei identificar a caligrafia... em vão. Secretamente desejei que fosses tu. Não te telefonei, mandei mensagem ou muito menos me ocorreu procurar-te para confirmar esta ideia descabida. Deixei-me assombrar pelas visões mais platónicas possíveis, tal e qual o nosso “nós”.
E demorei-me no banho.
Sabia que poucos eram os homens capazes de me surpreender e ainda menos aqueles que me conheciam tão bem ao ponto de saber qual é O meu lugar. Recordei com doçura a forma como nos conhecemos e como a partir daí começamos a ser indispensáveis para o bem-estar um do outro. Nunca nos vimos, nunca nos tocámos, mas tenho a certeza que nos reconheceriamos no escuro. Sabes todas as minhas fragilidades e vês-me muito para além da estrutura de menina que teimo em mostrar(-te); e eu, sei-te como poucos, sinto-te como escassos e vejo-te como nenhuns. O facto é que a tua importância foi crescendo de dia para dia, e mesmo que não tenhas estado sempre presente, mesmo havendo espaços em branco, não me lembro de uma única vez que tenha estado triste e tu não me tenhas ouvido, não (me) tenhas pressentido. É impossivel esquecer as mais que muitas vezes em que te disse que sabia bem ter-te assim, por perto, porque sei que depois de tudo tu estás sempre aí para proteger o meu voo e mimar a minha queda. A verdade é que já nos temos há imenso tempo, e de cada vez que algo corre mal ou bem, a primeira pessoa que surge na minha cabeça és tu. Por isso hoje, institivamente, pensei em ti. Queria que fosses tu. Muito.
E com isto, o relógio já marcava 20:15. Apressei-me a sair da banheira, passeei-me nua pela casa, saboreei um copo de Barca Velha, sequei o cabelo e abri o armário. Não demorei muito para escolher o que vestir: umas calças justas de ganga clara, uma camisola perlé de gola alta branca, um cinto e umas botas castanhas, o relógio da D&G, umas gotas de Noix de Coco da Yves Rocher et... VOILÁ! Contra todos os clichés e expectativas, consegui arranjar-me em menos de 5 minutos.
Peguei nas chaves do carro e saí.
Depois de alguns kilometros cheguei ao [...!] e recebi uma mensagem anónima: “Acertas-te e pelos vistos eu também. Para me encontrares só tens de dar 30 passos para a frente do poste de iluminação e mais 20 para o lado direito. Até já, Beijo doce”.
Eras tu. Acabaste de te denunciar sem perceberes. Num misto de nervosismo e ansiedade fiz o que me pedias, não pensando sequer no ridiculo que seria ver a minha figura a contar os passinhos, cuidadosamente. Confesso que quis voltar para trás inúmeras vezes: ceder à curiosidade e á vontade de estar contigo, pelo receio de nos perder naquela noite, de a magia desaparecer e o desejo não ser o mesmo.
Será que ele não tem medo?
Quando cheguei ao local por ti apontado, a única coisa que encontrei foi um girassol amarelo e um pequeno papel branco, idêntico ao primeiro:

“Claro que tenho medo. E por isso hoje, e pelo menos só por mais esta noite, vamos poder adormecer a pensar em como gostamos um do outro, ainda que platónicamente, e como isso nos chega para sorrir. Porque me fazes bem, porque eu só fujo uma vez e porque amanhã pode já não ser bem assim, beijo terno. M.”
Aquilo era tudo tão teu, e eu (?) cada vez mais tua.
[é assim que vai ser? :) ]

08 abril 2006

CERTEZA

... de que nunca volto ao(s) lugar(es) onde fui feliz

porque SIMPLESMENTE nada será igual.

23 março 2006

Hold still for a moment and I'll find you
I'm so close, I'm just a small step behind you GIRL
And I could hold you if you just stood still.



I'll hold still for a moment so you'll find me
You're so close, I can feel you all around me BOY
I know you're somewhere out there.

Hold Still, David Fonsenca

06 março 2006

Inocências
No armário o cachecol, e nele o teu cheiro. Enrolo-me como quando ainda não conhecia o teu sabor. Regresso a uma noite qualquer perdida no passado: lembro-me de apontares para o céu cheio de estrelas e dizeres coisas bonitas. Demoro-me então no teu pescoço, demoro-me horas. E quero sempre mais. Recordo o teu toque e arrepio-me sem te ter aqui. Sorris com doçura. Dás-me a mão entrelaçando os teus dedos nos meus, apertas-me contra o teu peito, aproximas os teus lábios húmidos, e antes que soltes um amo-te inocente e sem sentido a que o momento propicia, o meu dedo indicador pede-te silêncio. Mas tu, egoísta, abraças-me e dizes a palavra proibida. Peço-te que pares e tu não percebes a minha frieza.
Mas e agora? E agora que sou só eu e o cachecol na cama vazia? Agora que os ponteiros do relógio consomem esta noite chuvosa... vês porque tinha medo?
[Porque não só no carnaval nos podemos vestir de uma pessoa que não nós. Essa é a magia da escrita.]

23 fevereiro 2006

Por favor, não me peças para explicar o que as minhas mãos entornam quando te deitas no segredo dos cantos de quem um dia foste para mim; ou de como te agitas no meu próprio turbilhão.
Peço sempre por favor e mesmo assim a ternura ataca-me:
Um café por favor. Cigarros por favor. Abraça-me por favor.
Peço sempre com ternura e às vezes temo que a ternura mate.
E largo das mãos as palavras nesta tristeza estranha de quem (não!) esquece que ninguém quer o que não entende. E até mesmo nas palavras eu sei que a loucura é um pé-de-vento que se aproxima. Por favor, não me peças para explicar. Deixa-me antes tentar entender.
Por favor, queres mesmo passar por tudo isto de novo?
E se tu nunca mais estiveres aí para mim? E se eu não estiver aqui para ti? E se o tempo, a vida e as circunstâncias nos levarem para longe? O que é que esperas que faça com o (teu) vazio? Que o guarde com ternura?
Por favor. Por favor. Por favor.

10 fevereiro 2006

"Ok, ás 22:30 no Cup&Cino."

Chegaste com o mesmo olhar de menino e sorriso sincero de hà tempos. De mãos nos bolsos e cabelo desgrenhado procuraste-me por entre a fumaça dos cigarros, e eu juro que quando os teus olhos tocaram os meus, não consegui disfarçar o misto de nervosismo e ansiedade por te ver ali, tão perto. Não sei se também tu estavas nérveo, lembro-me que me ocorreu de imediato que estavas igual: com o mesmo manto de mistério - indecifrável - pelo qual me tinha apaixonado em miuda. E senti-me pequenina de novo: naqueles dias em que não sabia o que esperar de ti.
Contráriamente a todas as frases que tinha construido no caminho, consegui soltar apenas um Então, tudo bem? e tu, tranquilo, discreto e algo tímido aproximaste-te para me dares dois beijos. Rápidamente identifiquei o cheiro da tua pele e sorri por dentro... tive saudades!
A conversa desenrrolou-se por caminhos banais e espaçados silêncios... mas é natural, não é? Quando duas pessoas estão muito tempo separadas e voltam a encontrar-se, existe um sentimento de estranheza em relação um ao outro – como se ambos tivessem crescido em sentidos diferentes e deixassem de se reconhecer temporáriamente.
À medida que os minutos iam passando eu ia-me deixando levar pelas nossas palavras e aproveitava cada bocadinho para, secreta e discretamente, te observar. Apesar de já terem passado alguns anos, os traços das tuas feições continuam os mesmos, o brilho dos teus olhos e do teu cabelo permanece, e as mãos grandes e desenhadas revelam-se intocáveis ao tempo.
Quase que instantaneamente, a tua insegurança acabou por se transformar em calma e eu voltei a sentir-me confortável e confiante perto de ti. Confesso que dei por mim, muitas vezes, a pensar no quão longe tu vais, mais longe do que – aposto! – tu próprio imaginas; porque tal como todos os homens inteligentes pões em causa as tuas capacidades, mas isso só serve para ponderares mais e melhor os teus futuros passos e chegares, certo, onde queres. Sempre te disse que a sensibilidade é o teu melhor guia, mas ás vezes teimas em desafiar os teus sentidos, reflectes e voltas atrás, esperas e repensas, equacionas e desenhas novos cenários... porque para ti o dia-à-dia não tem sabor se não for assombrado por dúvidas, incertezas, angústias e apertos.
Já me tinha esquecido de tanto de ti: da tua espontaniedade, da mania de complicares sempre tudo, da – sempre! - atenção ao que te rodeia, da meiguice, da importância dada ás pequenas coisas, do teu sentido de humor, dessa tua fragilidade – que só mostras a quem queres...
Quando caminhavamos para o carro tentava, inconscientemente, guardar cada bocadinho daquela noite. Quis guardar tudo ao mais infimo pormenor para que depois, quando chegasse a casa, pensasse e saboreasse devagar aquelas horas que passamos juntos.
Estava frio.
Mentia se dissesse que não me tinha passado pela cabeça beijar-te com a força e a ingenuidade da menina-mulher que sou. Mentia também se admitisse não ter gostado da persistência e da vontade com que lutaste contra a minha racionalidade.
Soube bem ter-te ali e aconchegar-me – ainda que de uma forma fria e distante – nos teus braços, beijar-te a medo (de me entregar) e sentir as tua mãos no meu corpo. Receei que a tua lingua, a faísca que os teus lábios faziam quando pressionados contra os meus e os mimos no pescoço despertassem em mim sentimentos já há muito esquecidos. Por isso estava tão fechada, contraida e a tentar resistir a todos os teus – doces! – avanços.
Naquela noite desejei que as circunstâncias do teu coração fossem outras... talvez por te conhecer tão bem sentia que ainda estavas preso a um passado que se revelava recente.

Sabes quando sentes que não há mais nenhum lugar no mundo onde queiras estar, senão ali?
Foi o que senti, n'Aquela noite... contigo.

06 fevereiro 2006

Ignorei a confusão de papéis que invadia o sofá da sala. Sentei-me num canto, agarrada a uma almofada de pêlo, e puxei da “Actual” para dar uma vistinha de olhos. Ele sentou-se ao meu lado. Sôfrego e ávido começou por me explorar o pescoço, a nuca e o lóbulo da orelha, não me deixando espaço, ou ânimo, para continuar a ler o artigo sobre o desarranjo que vai no teatro nacional.
Anda, vamos até lá cima, disse-me enquanto me puxava o braço.
Deitou-me na cama de um dos quartos de hóspedes, desapertou-me os jeans num gesto lento e lascivo que tomei com grande sensualidade, lambeu-me o peito num movimento carinhoso e estranhamente impetuoso, és linda, disse-me. Estremeci com estas palavras. Acordei do transe egoísta em que mergulhara e desci-lhe pelo peito até lhe tocar o corpo… Em segundos decidi parar e em minutos pensei em voltar para casa.
Vou-me embora, disse-lhe. Ele não insistiu para que eu ficasse - estava amuado como um bebé de colo, principalmente depois do nosso diálogo sussurrado:
Quero beijar-te sempre. És minha!
Não, não sou.

26 janeiro 2006

Hoje o céu está pintado em tons cinza, alternados a espaços com brancos sujos e reflexos prateados. A ameaça de chuva é eminente, mas mesmo assim, achaste por bem sairmos do nosso esconderijo secreto. Quiseste ir ver a praia, visitar esse mar que dizes ser teu, mais uma vez, sem medo dos meus ciúmes de menina, sem medo das lágrimas que esse céu triste poderia verter.
Não estava mais ninguém na praia, como era previsível. Apenas nós os dois, bem enroscados em casacos grossos, protegidos do frio e da brisa cortante. De mão dada, lá fomos percorrendo a areia húmida e lisa. Os nossos passos ficam até á próxima maré, marcados com o peso de um amor que vive com as onda do mar, num vai e vem eterno, meigo nos dias de calmaria, apaixonado nos dias de tempestade.
Delicio-me com o nosso tempo, as nossas carícias, os beijos trocados livremente. Diz-me que não sonho quando vivo dias assim. Diz-me que não sonho quando me abraças. Diz-me quando foi a última vez que pediste á lua um minuto comigo…
Agora estás parado, de pé, a olhar fixamente as ondas que se desfazem perante os teus pés e aquelas outras, que ao fundo ainda se formam. Afasto-me, para te contemplar em grande angular. A tua expressão é séria, fixa num objectivo, num sonho que tenho dificuldade em compreender. Mas o quadro final é de uma serenidade quase irreal. O vento a abanar os teus cabelos livres. O som do mar, esse murmúrio constante quebrado pela morte das ondas, e o seu azul. O cinzento do céu. Os pequenos grãos de areia e... os teus olhos.
Pego na máquina fotográfica, para tentar guardar esta imagem para sempre. Giro em teu redor, fotografando todos os teus ângulos, todos os movimentos do teu cabelo. Dou voltas e voltas, até desenhar um círculo na areia, onde ficamos ambos encerrados, simbolicamente, como se nada no mundo, pudesse atravessar esse círculo mágico construído na areia húmida da nossa praia. Somente paro quando tu, doce, esboças um sorriso sincero que quebra o tempo, e te agarras a mim num abraço lento, sentido, sorridente, sonhador.
E depois do beijo, o mundo até poderia ter acabado ontem…

16 janeiro 2006

.

One of these mornings
Won't be very long
You will look for me
And I'll be gone

.

15 janeiro 2006

note:

i'm not for sale.

BUT

even if i was, i'd be too expensive for you anymay!

08 janeiro 2006

Como fazer-te saber que em ti busco aquilo que nos outros não vejo? Para sempre vou admirar-te por aquilo que em mim já não se separa de ti.

Fica a memória eterna e um publicamente declarado: ADORO-TE M.
[não, nunca me esqueci de ti. eu nunca me esqueci de ti.]

03 janeiro 2006

LUZ
E então é assim que deixa de ser quando os fantasmas se arrumam. Quando a bagunça é trancada numa gaveta e os medos ficam lá bem para trás.
E então é assim que deixa de ser quando não duvido que o vento que vem é de norte.
Limpa os pós.
Varre as pegadas.
Arranja os estragos.
Entra LUZ.

19 dezembro 2005

Quando era pequenina pensava que a terra era quadrada e que, uma vez chegada ao final de percorrê-la, me podería debruçar e ver as estrelas.

27 novembro 2005

Permanência
Pediu um café, cruzou as pernas ajeitando com um toque de timidez a saia e de seguida tirou da mala um cigarro. Acendeu em câmara lenta a chama de uma vida. O café chegou. O empregado balbuciou qualquer palavreado de que não obteve resposta. E ela continuou ali saboreando a amarguês, não só da vida mas também do cigarro, que ficou esquecido no cinzeiro de prata. Mexeu o café ora para esquerda, ora para a direita. Passou a colher pelos lábios (agora) sem cor e voltou a colocar perto da chávena. Parecia ter paralisado o olhar em direcção ao infinito. Gente saiu, gente entrou, o café arrefeceu, o cigarro ficou reduzido a cinzas e o seu olhar cedeu uma lágrima.
Apenas uma.

19 novembro 2005

Aproximamo-nos da tua casa. Páro. Tu puxas-me de imediato, com as mãos a fervilhar de desejo: "anda(!)"; e continuamos então a caminhar, colados um ao outro, por entre arrepios e suores lânguidos.
A noite foi longa. Bem longa. Alimentámo-nos apenas dos nossos risos e beijos no meio da multidão e da fumaça. Sinto-me sem forças.
Deixo-me cair na tua cama: tu usas o meu corpo como se fosse o teu e eu deixo-me levar por essa tua loucura inata. Acordo forçosamente com a luz do sol. Espreguiço-me. Olho em volta e encontro-te a meu lado. Não acredito que aquele cenário seja verdadeiro. Fecho os olhos e volto a abri-los: tu continuas lá. Levanto-me apressadamente e percorro o quarto em busca da minha roupa, espalhada, perdida. Visto-me tão rápido que a camisola fica do avesso. Não há tempo para mudar.
Procuro a saída da tua casa. Insistentemente. Desisto. Encosto-me a uma das paredes brancas da tua sala, ainda por mobilar, e len-ta-men-te escorrego até me sentar no chão frio. Baixo a cabeça, passo os dedos pelo cabelo e questiono-me sobre o porquê de fugir de ti.
Sorrio timidamente e, enquanto dispo a roupa, volto para o quarto, onde ainda dormes. Nua, deito-me cuidadosamente ao teu lado, percorro a curva do teu peito e sinto o calor da tua respiração. Abraço-te com força para que não consiga fugir mais nenhuma vez, pelo menos... por instantes.
- "Onde ias borboleta?"
- Voar, para longe. Voar.
["eu sou de ninguém, eu sou de todo o Mundo e todo o Mundo é meu também."]

14 novembro 2005

P'ra quê chorar,
P'ra quê sofrer,
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer?

De nós,
Resta apenas a ternura,
Resta a cúmplicidade no silêncio.

Vira essa folha e se esquece de mim.

Porque eu
Já esqueci de você.
Vinicius de Moraes

O poeta apaixonado, O homem dos afectos, O branco mais negro do Brasil.

[ "Vinicius de Moraes, Quem vai pagar o enterro e as flores se eu morrer de amores?" um filme-biográfico, no mínimo, interessante e MELícioso.]

.nunca uns versos fizeram tanto sentido.

08 novembro 2005

- (…) tenho tantas saudades tuas… caramba! Será que não vês?! Tenho saudades da tua ingenuidade de menina-mulher já cheia de saber, do teu sorriso tímido quando diante de alguém que não conheces, da tua vontade de ver os outros felizes. Tenho saudades da tua doçura e do teu olhar meigo por baixo das mexas de cabelo escuro. Tenho saudades da tua teimosia e da tua racionalidade, tantas e tantas vezes traída pelo coração. Tenho saudades dos teus beijos carregados de ternura, de quando me agarravas com força e eu, secretamente, sabia que era com medo de me perderes. Tenho saudades da tua insegurança e do teu empurrar os óculos, qual intelectual estereotipada, para o alto do nariz. Tenho saudades do teu franzir de sobrancelha quando não aprovas algo e da tua serenidade na praia a olhar o mar. Tenho saudades Marta… tenho tantas saudades quando te punhas em bicos dos pés para me beijares o nariz e depois te rias muito. Tenho saudades daqueles dias em que falavas por mim e por ti e daqueles outros em que só pedias para te dar miminhos porque não estavas bem, e eu respeitava o teu silêncio. Tenho saudades da tua energia quando saíamos à noite, do brilho do teu cabelo ao sol, de quando partíamos sem rumo ás 10 da manhã e só regressávamos ás 22 da noite. Tenho saudades da tua determinação e de saberes tão bem aquilo que queres. Tenho saudades de quando, frágil, choravas e o meu coração ficava pequenino. Tenho saudades de todas as noites adormecer com a tua voz, de percorrer 400 km num dia só para te sentir, de proteger essas asas de borboleta que só mostras a quem queres. Tenho saudades dos teus amuos quando algo te deixava triste e tu não querias dizer. Tenho saudades do teu perfume, de teres sempre resposta para tudo e de ler as palavras mais bonitas escritas por ti. Tenho saudades de quando fixavas o olhar em mim, de quando acordava e te tinha a dormir tranquilamente ao meu lado, de como te preocupavas comigo e... sei lá, das coisas mais simples como dar-te a mão. Tenho saudades de nós. Tantas, tantas..

- E eu tuas. Mas num patamar bem diferente.
Cresci tanto: sou mais eu, muito mais. E não é que o meu coração já não tenha espaço para ti, muito pelo contrário. Mas a vida e as circunstâncias levaram-nos para longe; os cheiros, os momentos, os sabores e as gentes tornaram as coisas bem mais claras na minha cabeça.

E eu tenho tantos sonhos. E tantas vontades. Tantas certezas.

Hoje... já não te sinto. Já não te oiço.
Já não nos vejo.
- ...

29 outubro 2005

Aluguei-te um quarto de mim e abri-lhe uma janela virada para o sol. Queria partilhar contigo todos os cantos e oferecer-te a caixinha perfumada dos meus sonhos. Talvez não tenhas visto o anúncio ou, quem sabe, eu ficava muito longe dos locais que, habitualmente, frequentas.

Não te mudaste. Visitaste-me apenas.

E ficaste tão pouco que nem o teu aroma resistiu. Só ficou o tal sorriso, aquele que condizia com os teus olhos, que me chamou de menina-mulher e que ainda procuro


esquecer.

26 outubro 2005

Em qualquer lado, onde quer que eu vá, levo no corpo o desejo de TE abraçar.

20 julho 2005

Conversa com um Menino de seis anos
Menino: "O mar é transparente. Não é nem verde, nem azul."
E eu, feito espertinho, virei-me para ele e disse-lhe "Ai é? Então porque é que eu o vejo azul?"
Responde-me ele: "João, é o reflexo do céu!."
Eu, ainda não totalmente convencido, ripostei: "Então e quando o mar é verdinho, ãh?"
Resposta pronta: "Amarelo e azul dá verde, certo?"
Eu: "Sim..."
Ele: "Então... É naquela zona mais costeira, onde o reflexo do céu se confunde com a cor da areia. E fica verde!."

14 julho 2005

- Porque tapas o olhar no momento em que digo que te quero?

- Não tapo o olhar. Protejo a alma.

- Mas... porquê?

- Para não ma roubares!

- Porque achas que ta vou roubar?

- Porque no dia em que deixei o peito a descoberto, tu conseguiste levar-me o coração.

06 julho 2005


Amei-te mal!
Não compreendi tudo o que representas. Se ao menos te tivesses revelado antes, para que esta descrença relativamente à tua beleza, fosse totalmente desvanecida e contrariamente difundida... Mas insistiram em afastar-me do teu conhecimento, insistiram em tapar-me a vista com a rudeza das tuas arrestas, sem me mostrarem a pureza desse âmago verdadeiro, directo e tão fiel. Agora, a tua escuridão estarrece-me a consciência, a tua perfeição, fugida dos parâmetros estéticos das novas cidades modernas e amplas, confunde-me as sensações: os segredos que escondes, as paixões que encerras e as estórias que seguras, fazem com que valha a pena atravessar-te, de noite ou de dia, só para te viver Coimbra.

05 julho 2005

Ele - Porque não?
Ela - Pensei que éramos ambos feitos de tecidos muito diferentes.
Ele - Do género, tu atrevida e eu tímido?
Ela - Não, do género, tu ingénuo e eu não.

in Não-digo!

19 janeiro 2005

Silêncio que não incomodas.

Shiuuu...lê a minha mente, limita-te a ler. Não precisas da minha voz para saberes como me sinto, o que quero, o quanto te anseio e amo. Apenas lê. Decifra o silêncio que te desamparo nesta sala negra, sozinho, só o silêncio.
Aprende.
Shiuuu...não pronuncies absolutamente nada. Fecha os olhos e ausculta o sussurro da nossa respiração, o pular frenético de um coração que te acompanha em cada compasso.
O silêncio, apenas o silêncio.
Não o acorde de uma melodia perdida nas malhas do tempo. Não o suspiro desprendido de um corpo feminino abandonado. Nem o bater vitorioso das asas de um pássaro que combate o medo do primeiro voo.
O silêncio. Apenas esse e não o sapateado das vidas que nos rodeiam.
Nada. Só o vazio. Só o eco dos nossos corações mais estrepitosos que nunca. Só tu e eu com o silêncio entre nós, não arquitectando uma barreira inultrapassável mas sim sustentando uma ponte, um elo entre dois mundos frívolos.
Não incomoda.
[O silêncio entre duas pessoas deixa de incomodar quando ambas se conhecem e se amam plenamente. O silêncio transparece sempre os mais sinceros sentimentos, as mais sentidas declarações, os mais puros e inocentes olhares...é no silêncio que se ouve a voz do outro, o murmúrio do coração alheio.]

11 janeiro 2005

Segredo.

Ainda me lembro das minhas gargalhadas quando, em miuda, num dos muitos Natais que já lá vão e tanta saudade deixam, a minha avó me estendeu os braços e ofereceu um embrulho colorido. Disse apenas é para ti, querida.

E toda eu sorri.

Com os olhos a brilhar e a curiosidade de criança a pulsar pelos sentidos, abri, desenfreadamente, o envolucro.

Sempre gostei muito dos presentes que ela gentilmente me dava. Sabia que demoravam muito tempo a ser elaborados e que neles depositava todo o carinho que nutria por mim. Por isso me dava tanto prazer, e tanto orgulho, recebê-los.

Quando ela dizia o meu nome, apressava-me a passar por entre os meus primos com um banco seguro entre mãos, punha-me bem no alto dele, no centro da sala - para que todos me pudessem ver - e com um sorriso rasgado recebia os mimos ternos que tinha para me dar.

É um doce esta minha avó. E naquele dia não foi excepção.

O laço era dourado e o papel vermelho - como a côr do fato do Pai Natal, murmurei. Invadida por algum nervosismo momentaneo, bem como por uns pózinhos de expectativa, destrui tudo: em poucos segundos o laço estava desfeito no chão e eu tinha nos braços a boneca de trapos mais bonita do Mundo.

É a tua cara – disse-me ao ouvido.

E era mesmo. As mechas de cabelo escuro atropelavam-se sobre uns enormes olhos castanhos em forma de avelã; o sorriso, esse era sincero, espontaneo; e os braços estavam abertos, para receber e guardar todos os amigos com quem me fosse cruzando.

É assim que ela me vê.

Atentou, até mesmo, a pequenos (grandes!) pormenores como o cuidado de ”me” vestir de cor de rosa, porque era a minha cor preferida; e os pés estavam descalços porque dizia que não havia maior felicidade do que ver-me a chapinhar, qual pata de água doce, nas pequenas poças de água que se acumulavam no pátio, nas gélidas manhãs de Inverno.

Cresci. Amo o calor e todas as cores que o arco-iris emana. Mas continuo a rever-me na boneca de trapos. Sempre que me perco, e não posso recorrer à minha querida avó, abraço-a com força e a tempestade logo passa, as núvens tranformam-se em sol e o que antes era névoa fica claro como água.

Afinal, há mesmo coisas que nunca mudam: eu, ela e este nosso pequeno segredo.

14 dezembro 2004

Alguém.

Olhas para o céu e pensas se alguém também o faz nesse exacto momento, se alguém sente o que tu sentes, se alguém acredita nos mesmos detalhes que te fazem sorrir, se alguém se rege pelos mesmos credos, se o vento faz alguém dançar, se a chuva cobre as lágrimas de alguém, se esse raio de sol aquece outra alma, se...
Será que alguém pensa agora como tu?
E há um aroma que te lembra de viver, e há um som que se chama silêncio, e há uma mão que também é a tua mão e a mão de alguém, ao mesmo tempo. Um coração que te completa. Uma lua e um sol lá em cima que brilham para mais que um alguém.
Receita para hoje e sempre:
Pó de estrelas, Sorrisos e UM Alguém.

09 dezembro 2004

Olho para dentro de mim,
sinto-me
vazia.

06 dezembro 2004

(L)

Pego no telemóvel e aviso-te que cheguei. A mensagem é curta e objectiva: “estou no Couraça, vens cá ter?”. O fumo dos cigarros baralham os meus pensamentos e, em silêncio, estremeço quando penso na possibilidade de rever os TEUS olhos azuis rasgados e o contraste das mexas de cabelo escuro que teimam pôr-se à frente deles. A conversa desenrola-se e eu estou longe. No entanto, e como sempre, sorrio.
“Já lhe mandaste a mensagem?”
“Sim”, respondo convicta. Mas… qual foi a pergunta mesmo?

QUE RAIVA. Tens este efeito em mim (D.): mesmo longe consegues ocupar-te da minha mente e deixar-me assim (D.), estupidamente distante e ansiosa (D.).

O tempo passa e continuo a não ver qualquer vestígio de ti, a não ser cá dentro, do lado da saudade, do carinho e da ternura. Ainda me lembro da primeira vez que nos cruzámos: nesse dia eu ainda estava desperta para o que me rodeava. Passeava-me, qual borboleta, pela sala do bar quando tu entraste para felicitar um amigo comum. Os meus sentidos dispararam quando te debruçaste sobre mim para cumprimentá-lo. Cheiravas bem.

“Marta! Oh Marta! Não achas?!”
“Hum?.. Sim, sim! Claro!” Mais uma vez, e mesmo longíssimo dali, a conversa desenrolava-se. Falavam agora de marcas de telemóveis: de como os nokia ganhavam aos pontos os siemens – os piores do mercado porque se desligam, apagam, congelam… enfim.
A mesa redonda deixava espaço suficiente para que pudéssemos tomar café calmamente, sem que os braços se atropelassem. A verdade é que, se estivesses ali, até nem me importava que a mesa fosse apertada, para de alguma forma, sentir o teu corpo contra o meu. Mas não estavas. Não estavas e eu também não. Culpa tua.

Subitamente faltou a luz, “deve ter sido um qualquer problema com o quadro…” concluímos. E ficámos ali, ás escuras, a brincar com os isqueiros e com as luzes dos telemóveis. E o meu pensamento dispersou de novo: recordaste quando foste ter ao DD só para me ver? Combinaste tudo com eles e apareceste. Eu fiquei tão feliz e nervosa que durante toda a noite só te dirigi um mero olá, e tu, igualmente nérveo, balançavas-te para a frente e para trás com a mão no bolso das calças, sorrindo e olhando-me de soslaio. Adoro quando estás inquieto. Ficas inseguro e doce como ninguém. Eu não – fico trapalhona: à saída deixei cair todas as moedas da carteira e enfiei o pé esquerdo numa poça de água. Fiquei tão envergonhada que nem me despedi de ti, meti-me no carro e só quando cheguei a casa te mandei uma mensagem a pedir desculpa.

“Pagas os cafés?”
“Está bem, mas depois vocês pagam as minis, ok?”
Pelos vistos estávamos de saída. E tu, nada. Estava tão triste que nem me apetecia seguir noite dentro com eles, mas fui. Abstrai-me de ti, por momentos, e fui.

Passou o domingo, e o meu regresso a Lisboa estava marcado para poucas horas mais tarde. Estava super cansada, mas nem dormi na viagem.

Mania que vocês, Homens, têm de ser tão desprendidos.

[adorei o telefonema D., prometes que ligas mais vezes?]

29 novembro 2004

Tantas vezes quis dizer amo-te e não disse.
Tantas vezes quis ouvir da tua boca que o amor não acaba como acabam os barcos no infinito, quis abraçar-te num pranto e só deixei cair os braços no desespero de uma conformação por algo que eu sabia efémero, mesmo quando me davas a mão e dizias amo-te, ou quando me abraçavas e me prometias o amanhã.
Quantas vezes quis pedir-te para não deixarmos o tempo secar o orvalho das manhãs, nem as ondas apagarem as nossas pegadas.
Tantas vezes perguntei o que é o amor? e ninguém me soube responder... E afinal o amor é só isto: uma alma assaltada e um coração roubado.
E podia muito bem ter dito já que me assaltaste a alma, toma bem conta do meu coração.

22 novembro 2004

Gota a Gota.

Folha a folha vai
O Outono a cair,
Letra a letra escrevo
O que hás de ouvir.

Longe de ti
Só posso inventar,
Olhos nas nuvens
Sempre a mudar,
Sentindo o vento
Chuva no ar,
No ar ...

Gota a gota cai
A chuva no mar,
Passo a passo sei
Onde quero estar.

Olhos nos olhos
A mão na mão,
Sentindo o vento
Sentindo o chão,
Se gosto de ti
Porque não?


Gota a Gota - Xutos e Pontapés
[longe mas sempre p e r t o, D.
Será?]

21 novembro 2004

Eu & Tu = Nós?!

O filme que passa no televisor faz-me sentir cada vez mais o cansaço apoderar-se de mim. Enrolada numa manta de quadrados vou aquecendo o meu corpo por si e vou adormecendo junto à almofada e junto ao teu braço que me acompanha toda a parte superior das costas. O sofá é demasiado pequeno para os dois, volta e meia está um quase a cair no chão, é nessa altura que o outro estica o braço e entre sorrisos e quase quedas nos beijamos até cair.
No chão rebolamos como crianças, tens o mau hábito de me fazeres cócegas e eu tenho o péssimo hábito de não conseguir parar de rir. Fazemos do chão frio um areal, e da noite um momento único e especial para ambos.
Normalmente levas-me para a cama entre braços, com cuidado para que não acorde, com leveza para que não me desmanche, sempre com a preocupação de não me partires as asas transparentes e invisíveis de Borboleta em que acreditas.
Hoje não há troca selvagem de beijos, nem fazer amor, há uma troca de olhares e um sorriso ao nosso cobertor de ternura. Há um penetrar nesse imenso oceano azul onde me perco e há um entrelaçar de dedos em algumas madeixas escuras de cabelo, em movimentos desconexos e desconcentrados.
Entre carinhos e carícias soltam-se palavras e frases e nasce uma conversa, daquelas conversas que nos ocupam horas e horas e que nos levam por entre reviravoltas e consentimentos até de madrugada, onde adormecemos exaustos.
Falamos sobre Amor mas não somos românticos. Jantamos normalmente com velas e a luz da sala e do quarto é ténue, ligamos a pormenores como o embater dos raios de Sol no cortinado amarelo mas não festejamos o dia dos namorados, nem os meses de namoro, não achamos que as datas têm de ser comemoradas apenas porque sim e ainda bem. No Inverno gostamos de caminhar pelo parque e de dar pontapés nas folhas caídas, gostamos de levar o cão a passear embora vá normalmente sozinha. Gostas de acordar tarde assim como eu gosto de me deitar tarde. Quem disse que quem ama tem ciúmes? Eu não tenho ciúmes. Tu não tens ciúmes. E é desta premissa que nasce toda uma relação.
Gosto de sair contigo porque me divirto mais. E tu também. Temos muitas amizades em comum. Mas ás vezes saímos separados: não gosto de te arrastar e de te fazer sentir deslocado tal como também não gosto que tu mo faças, por isso é com leveza que aceitamos as nossas diferenças de gostos e de opiniões. Quando olham para ti, te pedem um número, te oferecem um copo não me chateio, nem gelo por dentro, nem tenho medo sequer. Confio em ti e acredito em mim. Não temos a petulância de achar que somos insubstituíveis, ninguém é. Se um dia um de nós partir, alguém chegará e a Vida voltará a ser bonita e laranja novamente. Não há que ter medo, não há que evitar, não há que esgotar o Universo de Possibilidades que nos rodeia. Não nos fechamos nem nos poupamos a novas descobertas. Acreditamos sempre que é possível algo melhor.
Nunca nos chateamos. Nunca te ouvi gritar. E quando me zango ouves-me com respeito até ao fim. És o meu contar até 10. No teu silêncio acalmo-me sempre e fico exausta depois de ter dito tudo o que queria dizer sem dares luta. Geralmente dás-me razão o que me faz sorrir por dentro. A isso ainda juntas umas palavras de admiração pela minha capacidade argumentativa o que me faz derreter de orgulho. Gostamos de andar de mãos dadas, detestamos alianças, eu gosto de andar no Body Pump e tu gostas de bodyboard.
No Verão passamos muito tempo na praia, jogo futebol com eles, lembras-te das bolhas que fiz nos pés no ano passado? Foste comigo comprar as minhas sapatilhas e em vez de me criticares pelo meu sonho de consumo fútil e estúpido sorriste-me e disseste que era a 'miúda mais gira do Mundo'. Não falamos sobre nós com ninguém. Ambos somos poços de segredos onde os fiéis amigos depositam as suas verdades. Eu não sei que segredos escondes. Tu também não sabes dos meus. Não somos um. Somos dois. Não somos perfeitos. Somos imperfeitos demais. Bebes cafés e fumas. Eu só bebo cafés. Gostas de me ver de botas altas e eu gosto de andar de tennis – ás vezes faço-te a vontade. Não gostas de dar nas vistas e eu também não. Tens olhos azuis e és moreno, eu sou morena de olhos escuros. Não gosto de marisco e tu gostas. Não acreditamos na eternidade mas pensamos no Futuro.
O Amor para mim é isto.
O Amor para ti é isto.
Fazemos sentido juntos mas somos pessoas sós.
Respeitamo-nos.
Sabes o que somos?
Somos acima de tudo amigos que um dia quiseram experimentar o Amor...

[A beleza da escrita está em sermos nós próprios mesmo quando não o somos verdadeiramente; mas isso ninguém precisa de saber.]

20 novembro 2004

Gostos.

À medida que amadurecemos os nossos gostos mudam:

As meninas gostam de bonecas pintadas & os meninos de soldados.


Quando c r e s c E M,


algumas mulheres gostam de soldados


e alguns homens de bonecas pintadas.

19 novembro 2004

note :

for those
who never cared

I won't look back.

10 novembro 2004


Yes. Indeed. Once upon a time i was a respected & married woman.
Things change.

07 novembro 2004

Fabrica de sonhos

Um dia, quando finalmente crescer e me vir confrontada com a triste realidade de que os príncipes não existem e o Pai Natal se resume a um estratégico golpe de publicidade, vou criar a minha FABRICA DE SONHOS. Vou, passo a passo, construí-los e moldá-los. Dar-lhes magia, música e encanto. Vou colori-los de todas as cores e vou voar. Vou sossegar o meu coração junto de estrelas mágicas, nuvens voadoras e circos da lua e do sol. Vou fazer o meu tempo e preenchê-lo de cheiros, sabores, momentos e instantes. Vou semear sorrisos, desenhar afectos e colher abraços. Vou denunciar a felicidade e prender o amor.

Vou.

Vou e não volto, um dia.

03 novembro 2004

Primeiros passos

Num pulo, coloco-me fora da cama, abro a janela e ponho os pés no gélido chão da varanda. A rua está adormecida sob os reflexos dourados que trespassam o eucalipto, um leve véu de nívea neblina paira sobre os campos e algumas estrelas persistem num céu de uma incontável paleta de tons de azul, rosa e amarelo. Dos outros prédios obtenho como resposta um amontoado de persianas brancas corridas até baixo. Não passam de uma cambada de energúmenos, encerrados nas suas fúnebres gaiolas, reclusos da sua auto-imposta deplorável rotina diária, desprezando os momentos mais belos do dia, adorando o berrante sol.
Numa pachorrenta mandriice, descerro lentamente os olhos e fixo-os no tecto cor de madrugada. Os primeiros raios da aurora penetram pelas cortinas, fazem ricochete no espelho e provocam engraçados jogos de luz e cor no crepúsculo do quarto. Observo a madrugada dissolvendo-se, escorrendo pelas paredes alvas, escondendo-se debaixo da cama. Sorrio, estou na fase mais doce do dia, na ténue fronteira entre a ficção e a realidade. A fantasia envolve todos os objectos e acontecimentos, tornando mágico o matinal chilrear dos pássaros, o sonoro baloiçar do enorme eucalipto, o gotejar da velha fonte. Fecho os punhos, aperto-os contra a nuca e, num demorado bocejo, deixo o sono fugir de mão dada com o sonho.

02 novembro 2004


Desculpe, era 1 kg de tempo por favor. Posted by Hello

01 novembro 2004

Durante a noite.

Percorro a casa, morna e escura; encaminho os pés desnudos pela alcatifa mole; procuro a claridade. Na janela encontro luzes de uma qualquer cidade - não, o brilho das estrelas não é o mesmo, e o cheiro da madrugada afasta-se das minhas memórias. Coimbra, penso, tem um brilho incomparável, e todas as cores contrastam com a minha alma. O cheiro, as gentes, as ruas apertadas, a confusão dos dias, o rio, o coração a viajar com as mãos no volante. Coimbra - Coimbra - na "minha" cidade tudo brilha e tudo é sempre sol, e quando a noite cai mil sorrisos inundam as ruas onde sempre mergulho. Aqui, quase sempre é noite e mal aprendi a nadar. Aqui, apetece-me riscar os tectos e escrever o teu nome em todos os cantos. Coimbra - deixa chover - amo cada das pedras das tuas calçadas, e sonho os meus pés desnudos sobre elas. Lembro-me do Mondego, dos meus olhos soltos na água, das mãos dadas aos amigos, da casa, da família, do coração a brilhar contigo.
Coimbra, só Coimbra.
Coimbra e todas as palavras não chegam para dizer que só a ti pertenço.