"Ok, ás 22:30 no Cup&Cino."
Chegaste com o mesmo olhar de menino e sorriso sincero de hà tempos. De mãos nos bolsos e cabelo desgrenhado procuraste-me por entre a fumaça dos cigarros, e eu juro que quando os teus olhos tocaram os meus, não consegui disfarçar o misto de nervosismo e ansiedade por te ver ali, tão perto. Não sei se também tu estavas nérveo, lembro-me que me ocorreu de imediato que estavas igual: com o mesmo manto de mistério - indecifrável - pelo qual me tinha apaixonado em miuda. E senti-me pequenina de novo: naqueles dias em que não sabia o que esperar de ti.
Contráriamente a todas as frases que tinha construido no caminho, consegui soltar apenas um Então, tudo bem? e tu, tranquilo, discreto e algo tímido aproximaste-te para me dares dois beijos. Rápidamente identifiquei o cheiro da tua pele e sorri por dentro... tive saudades!
A conversa desenrrolou-se por caminhos banais e espaçados silêncios... mas é natural, não é? Quando duas pessoas estão muito tempo separadas e voltam a encontrar-se, existe um sentimento de estranheza em relação um ao outro – como se ambos tivessem crescido em sentidos diferentes e deixassem de se reconhecer temporáriamente.
À medida que os minutos iam passando eu ia-me deixando levar pelas nossas palavras e aproveitava cada bocadinho para, secreta e discretamente, te observar. Apesar de já terem passado alguns anos, os traços das tuas feições continuam os mesmos, o brilho dos teus olhos e do teu cabelo permanece, e as mãos grandes e desenhadas revelam-se intocáveis ao tempo.
Quase que instantaneamente, a tua insegurança acabou por se transformar em calma e eu voltei a sentir-me confortável e confiante perto de ti. Confesso que dei por mim, muitas vezes, a pensar no quão longe tu vais, mais longe do que – aposto! – tu próprio imaginas; porque tal como todos os homens inteligentes pões em causa as tuas capacidades, mas isso só serve para ponderares mais e melhor os teus futuros passos e chegares, certo, onde queres. Sempre te disse que a sensibilidade é o teu melhor guia, mas ás vezes teimas em desafiar os teus sentidos, reflectes e voltas atrás, esperas e repensas, equacionas e desenhas novos cenários... porque para ti o dia-à-dia não tem sabor se não for assombrado por dúvidas, incertezas, angústias e apertos.
Já me tinha esquecido de tanto de ti: da tua espontaniedade, da mania de complicares sempre tudo, da – sempre! - atenção ao que te rodeia, da meiguice, da importância dada ás pequenas coisas, do teu sentido de humor, dessa tua fragilidade – que só mostras a quem queres...
Quando caminhavamos para o carro tentava, inconscientemente, guardar cada bocadinho daquela noite. Quis guardar tudo ao mais infimo pormenor para que depois, quando chegasse a casa, pensasse e saboreasse devagar aquelas horas que passamos juntos.
Estava frio.
Mentia se dissesse que não me tinha passado pela cabeça beijar-te com a força e a ingenuidade da menina-mulher que sou. Mentia também se admitisse não ter gostado da persistência e da vontade com que lutaste contra a minha racionalidade.
Soube bem ter-te ali e aconchegar-me – ainda que de uma forma fria e distante – nos teus braços, beijar-te a medo (de me entregar) e sentir as tua mãos no meu corpo. Receei que a tua lingua, a faísca que os teus lábios faziam quando pressionados contra os meus e os mimos no pescoço despertassem em mim sentimentos já há muito esquecidos. Por isso estava tão fechada, contraida e a tentar resistir a todos os teus – doces! – avanços.
Naquela noite desejei que as circunstâncias do teu coração fossem outras... talvez por te conhecer tão bem sentia que ainda estavas preso a um passado que se revelava recente.
Sabes quando sentes que não há mais nenhum lugar no mundo onde queiras estar, senão ali?
Chegaste com o mesmo olhar de menino e sorriso sincero de hà tempos. De mãos nos bolsos e cabelo desgrenhado procuraste-me por entre a fumaça dos cigarros, e eu juro que quando os teus olhos tocaram os meus, não consegui disfarçar o misto de nervosismo e ansiedade por te ver ali, tão perto. Não sei se também tu estavas nérveo, lembro-me que me ocorreu de imediato que estavas igual: com o mesmo manto de mistério - indecifrável - pelo qual me tinha apaixonado em miuda. E senti-me pequenina de novo: naqueles dias em que não sabia o que esperar de ti.
Contráriamente a todas as frases que tinha construido no caminho, consegui soltar apenas um Então, tudo bem? e tu, tranquilo, discreto e algo tímido aproximaste-te para me dares dois beijos. Rápidamente identifiquei o cheiro da tua pele e sorri por dentro... tive saudades!
A conversa desenrrolou-se por caminhos banais e espaçados silêncios... mas é natural, não é? Quando duas pessoas estão muito tempo separadas e voltam a encontrar-se, existe um sentimento de estranheza em relação um ao outro – como se ambos tivessem crescido em sentidos diferentes e deixassem de se reconhecer temporáriamente.
À medida que os minutos iam passando eu ia-me deixando levar pelas nossas palavras e aproveitava cada bocadinho para, secreta e discretamente, te observar. Apesar de já terem passado alguns anos, os traços das tuas feições continuam os mesmos, o brilho dos teus olhos e do teu cabelo permanece, e as mãos grandes e desenhadas revelam-se intocáveis ao tempo.
Quase que instantaneamente, a tua insegurança acabou por se transformar em calma e eu voltei a sentir-me confortável e confiante perto de ti. Confesso que dei por mim, muitas vezes, a pensar no quão longe tu vais, mais longe do que – aposto! – tu próprio imaginas; porque tal como todos os homens inteligentes pões em causa as tuas capacidades, mas isso só serve para ponderares mais e melhor os teus futuros passos e chegares, certo, onde queres. Sempre te disse que a sensibilidade é o teu melhor guia, mas ás vezes teimas em desafiar os teus sentidos, reflectes e voltas atrás, esperas e repensas, equacionas e desenhas novos cenários... porque para ti o dia-à-dia não tem sabor se não for assombrado por dúvidas, incertezas, angústias e apertos.
Já me tinha esquecido de tanto de ti: da tua espontaniedade, da mania de complicares sempre tudo, da – sempre! - atenção ao que te rodeia, da meiguice, da importância dada ás pequenas coisas, do teu sentido de humor, dessa tua fragilidade – que só mostras a quem queres...
Quando caminhavamos para o carro tentava, inconscientemente, guardar cada bocadinho daquela noite. Quis guardar tudo ao mais infimo pormenor para que depois, quando chegasse a casa, pensasse e saboreasse devagar aquelas horas que passamos juntos.
Estava frio.
Mentia se dissesse que não me tinha passado pela cabeça beijar-te com a força e a ingenuidade da menina-mulher que sou. Mentia também se admitisse não ter gostado da persistência e da vontade com que lutaste contra a minha racionalidade.
Soube bem ter-te ali e aconchegar-me – ainda que de uma forma fria e distante – nos teus braços, beijar-te a medo (de me entregar) e sentir as tua mãos no meu corpo. Receei que a tua lingua, a faísca que os teus lábios faziam quando pressionados contra os meus e os mimos no pescoço despertassem em mim sentimentos já há muito esquecidos. Por isso estava tão fechada, contraida e a tentar resistir a todos os teus – doces! – avanços.
Naquela noite desejei que as circunstâncias do teu coração fossem outras... talvez por te conhecer tão bem sentia que ainda estavas preso a um passado que se revelava recente.
Sabes quando sentes que não há mais nenhum lugar no mundo onde queiras estar, senão ali?
Foi o que senti, n'Aquela noite... contigo.
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