Ignorei a confusão de papéis que invadia o sofá da sala. Sentei-me num canto, agarrada a uma almofada de pêlo, e puxei da “Actual” para dar uma vistinha de olhos. Ele sentou-se ao meu lado. Sôfrego e ávido começou por me explorar o pescoço, a nuca e o lóbulo da orelha, não me deixando espaço, ou ânimo, para continuar a ler o artigo sobre o desarranjo que vai no teatro nacional.
Anda, vamos até lá cima, disse-me enquanto me puxava o braço.
Deitou-me na cama de um dos quartos de hóspedes, desapertou-me os jeans num gesto lento e lascivo que tomei com grande sensualidade, lambeu-me o peito num movimento carinhoso e estranhamente impetuoso, és linda, disse-me. Estremeci com estas palavras. Acordei do transe egoísta em que mergulhara e desci-lhe pelo peito até lhe tocar o corpo… Em segundos decidi parar e em minutos pensei em voltar para casa.
Vou-me embora, disse-lhe. Ele não insistiu para que eu ficasse - estava amuado como um bebé de colo, principalmente depois do nosso diálogo sussurrado:
Quero beijar-te sempre. És minha!
Não, não sou.
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