28 dezembro 2007

Banda Sonora para o novo ano

Donna Maria - Há Amores Assim



"Música Para Ser Humano" é o nome do segundo-novo disco dos Donna Maria, e é já uma aposta ganha no que toca a novos rumos para a música Portuguesa.

"de bem com a vida..."

Eu não diria melhor.

17 dezembro 2007

Aí vamos nós...

Pousada de Arraiolos

... para uma comemoração de Natal no mínimo... diferente. Com direito a convívio, descanço, copos, muitas gargalhadas e tudo (ou quase tudo) a que temos direito. Pelo meio ainda vamos ter tempo para fazer uma troca de prendas com o amigo secreto e dormir numa das mais bonitas pousadas do nosso Portugal. O regresso ao trabalho, esse, fica para o dia seguinte. :)
Será que consigo convencer as meninas a darmos uma escapadela ao kartódromo de Évora? Isto Promete.

21 novembro 2007

O amor é verde, veio uma vaca e comeu-o.
E assim acontece.
Declaro então encerrado este triste epísodio da minha vida.

16 novembro 2007

Super Pai

Eu sei que pode parecer cliché, mas o meu pai é o melhor pai do Mundo. E não, não é por eu ser praticamente uma fotocópia dele (sim, que eu sei que os óculos na ponta do nossos narizes são um pormenor determinante), mas ele tem mesmo o interior mais bonito que eu conheço… no que concerne a homens. Não que eu seja feminista, longe de mim. Mas por norma – diz-se por aí! – que os homens são uns crápulas, uns insensíveis, calculistas e dissimulados (tive há pouco tempo uma desilusão amorosa e ainda estou a ultrapassá-la, nota-se muito?!). Mas não vamos fugir ao cerne da questão: o meu pai. Sereno e sempre muito discreto, conquista qualquer pessoa com o seu bom coração. Ponderação é a palavra de ordem daquele Senhor. Sim, porque ele é um Senhor. Foi ele que me deu coragem e incentivo nas minhas lides escolares e, ainda hoje, fico fascinada quando me surge alguma dúvida (de temática tão vasta como de culinária a política) e ele me responde como se fosse dado adquirido. Podia ficar horas a ouvi-lo falar e a absorver toda aquela informação. Sei que é com ele que posso falar das minhas viagens: por livros, filmes, exposições e pessoas. Partilhar angústias, culpas, ressentimentos e alegrias; porque sei que há sempre uma palavra de conforto daquele lado e um orgulho ENORME por me poder chamar filha. Olho para ele e acho-nos tão iguais… excepto no bigode: e eu juro-vos que há qualquer coisa de mágico naquele “acessório” que em miúda me fazia rir e agora que cresci não o consigo imaginar sem ele. Acho que, e agora que os anos passaram, eu sou a lenda viva do jovem com objectivos e mais que muitas perspectivas risonhas relativas ao futuro que ele foi. Por isso me ajuda a abrir as asas e voar, cada vez mais longe e mais alto. E eu sinto que lhe custa muito deixar a menina dos olhos dele crescer. Mas a vida é mesmo assim Papá.
Hoje em dia, já cm o peso dos anos sobre os ombros e algum cansaço, a paciência continua a ser ao quilo e a vontade de aproveitar os bons momentos também… mas de forma moderada, que para loucuras está cá a filha.

Sempre disse que um dia, quando encontrar alguém, vou saber que essa pessoa é A tal por ter a mesma maneira de ser e de enfrentar a vida como o meu pai. E daí talvez não, que o coração tem razões que a própria razão desconhece – como dizia o nosso Pascal – e, infelizmente, já não há príncipes.

A minha admiração por ti vai ser eterna.

13 novembro 2007

Eu vou.


"Com o objectivo de promover e reconhecer a excelência na comunicação comercial e a sua capacidade de ajudar a atingir os objectivos das empresas, a APAN - Associação Portuguesa de Anunciantes - convoca os anunciantes a candidatarem-se aos Prémios à Eficácia.
A filosofia por detrás dos Prémios à Eficácia é o reconhecimento da importância da comunicação comercial como ferramenta fundamental de que dispõem os marketeers para atingirem os seus objectivos de marketing.
A força destes prémios radica na utilização eficaz e eficiente dos resultados de marketing. Partem de um objectivo do anunciante e do trabalho conjunto com a agência no desenvolvimento de uma estratégia, avaliando detalhadamente, desde a primeira ideia até ao último dos resultados, as acções publicitárias (...).
É o reconhecimento público da qualidade das decisões, do planeamento estratégico, da interpretação e desenvolvimento criativo e da capacidade de seduzir os destinatários."
Quinta-Feira, pelas 19:30, na estação do Rossio:
o encontro de GRANDES ideias.

09 novembro 2007

'Thank you

Do you see a single tear? It isn't gonna happen here. If you're over me, I'm already over you. If you wanna walk, I'm a step ahead. If you're moving on, I'm already gone. Haven't you heard that I'm gonna be okay?'

enought.

03 novembro 2007

01 novembro 2007

Há mulheres que amam e sabem esperar.
E há homens que querem, mas não as sabem guardar.
Margarida Rebelo Pinto

14 outubro 2007

Como esquecer alguém em 5 minutos

"Houvesse um medicamento, que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos e as farmácias ficariam inundadas de gente à sua procura. Existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse alguém e ficariam enormes as listas de espera para essa cirurgia. Mas não existe. Não há. Não se vende, nem se opera. Mas pode-se esquecer? Pode. Como assim? Ora, usando uma técnica vulgarmente usada pelos bombeiros para extinguir os incêndios. O lendário truque do “Fogo contra Fogo” que basicamente consiste em lançar outro fogo em direcção ao que vem a arder. Assim, queima-se uma área que ainda não esteja ardida, para que quando o fogo lá chegar nada mais tenha para arder. E é limpinho. O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queiramos esquecer não nos pareçam assim tão agradáveis. E quando o incêndio aparecer, já só resta terra queimada. (...) Assim, (...) extinguiremos o pouco que vai existindo até que tudo fique reduzido a cinzas, tão frias e inertes, que nenhum vento será capaz de as reanimar."
by Fernando Alvim
Tal como tudo na vida: a teoria é óptima já a prática... deixa muito a desejar.

10 outubro 2007

E agora para algo completamente diferente...

... manipulação de anúncio! :D

Este foi, sem sombra de dúvidas, mais um daqueles momentos que vai ficar para a história da boa disposição que se vive n'Aquela agência de publicidade.


23 setembro 2007

The shorter story:

no love, no glory, no hero in HER sky.

12 setembro 2007

O livro de cabeceira.

(...) Falámos demasiado para que eu esqueça do que falámos, vivemos demasiadas vidas para que eu as possa separar. Para que eu me possa separar de ti. A memória tende a desfibrar-se, víscera velha, nesta condição a que chamei apenas imaterial para não te assustar. Vejo tudo, continuamente. O espetáculo da vida interfere com a minha deambulação ao passado. (...) Qualquer dia olho para ti e já não sei quem fomos - encontros, desencontros, iras, ressentimentos, tudo se transforma numa massa fosca, pesada, que tento abandonar a pouco e pouco. (...) Começo a ver-te fora do tempo, esforço-me muito para recapitular o que me traz aqui, quase sobre o teu ombro. Inclino-me sobre a tua cabeça mas não consigo decifrar o teu pensamento. (...) O estado em que me encontro é angustiante: como se vivesse em sonolência diante de um filme que já não posso recriar, vendo tudo: o passado e o futuro - que afinal são um só - e aprendendo demasiado tarde o que não fui capaz de ver. Deve ser isto o limbo. (...) Precisava escangalhar o teu coração para fazer encaixar o meu. E agora tenho de o desencaixar outra vez para sair deste limbo. Mas não sei como. Sem o teu coração não consigo amar. Logo eu, que amava o Mundo inteiro, não é? Amar em abstracto é muito mais ágil do que amar em concreto. (...) Nós éramos um do outro. (...)
in Fazes-me Falta, Inês Pedrosa

16 agosto 2007

I'm not like all the other girls
[I can't take it like the other girls]
that you used to know.

let's pretend happy end.

08 agosto 2007

Triste é o virar de costas, o último adeus.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.

Despedir-me de ti: "Adeus, um dia, voltarei a ser feliz."

03 agosto 2007

Tudo o que eu vi estou a partilhar contigo
O que não vivi hei-de inventar contigo
Sei que não sei ás vezes entender o teu olhar
Mas quero-te bem.
Encosta-te a mim...

Jorge Palma

Quando nada faz sentido.

25 julho 2007

"Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na justa medida, no momento certo, pela razão certa e da maneira certa - isso não é fácil."
by Aristoteles

27 junho 2007

"Tenho aflição por toda a ausência não anunciada (...)"
Daniel Faria
Quero-te dizer uma coisa simples: a tua ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, por isso, de deixar alguns sinais - um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos. São estas as formas do amor, podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples também podem ser complicadas, quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade. Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a realidade aproxima-me de ti, agora que os dias correm mais depressa, e as palavras ficam presas numa refracção de instantes.
Não sei se noutras culturas o pensamento é o mesmo ou se a mentalidade já superou as tradições que se colam a gerações e gerações sem que ninguém as questione. Mas por cá sempre me impingiram a ideia de que o tempo resolve tudo. Utopias. É o hábito que engana aquilo que o tempo julga resolver: há falta de uma cama há sempre o chão. Mas quando o chão me foge apercebo-me que o tempo, afinal, não cura nada. Afunda o ímpar no quotidiano, como se os dias se mordessem de fúria, qual deles o mais saudoso de coisa nenhuma. E realmente vou-me domesticando à ideia da perda, da saudade miudinha que não morre, apenas se veste da pele tornando-se banal demais. É por isso que ao fim de meses, achamos que afinal o tempo resolveu e nada sangra como dantes. É já banal o hábito. A dor. Depois ela vai, estreita. Amanhece na pele como a ausência depois do beijo. E depois tu. E é sempre do mesmo lado que te encontro: o lado esquerdo do peito... Afinal o tempo não resolveu os teus olhos dentro dos meus.
Respiro e dói, escrevo e dói, tenho-te e acaba-me. O silencio impossível e nem assim, porque maior é o desespero. E dizes-me que vai passar. E não passa. E destrói. E mata.
Dou por mim em ti inúmeras vezes. Um golpe mais fundo de estrada e o desvio para os braços que me adormecem sem querer. Dou por mim em mil tempos à procura de um canto que me tenha longe da tua voz. E isso faz-me querer ir. Arrancar o que me dóis e partir estrada dentro do desejo. Rematar a diferença que morre comigo em guerra aberta, umas vezes mais agreste, mais difícil.
E ontem fui. Já tinha saído para o mundo e tu de novo nos meus braços. Esse abraço forte e fugidio que é o cheiro da minha pele. Depois chegaste e eu não queria. Queria muito, mas não consigo. Por isso esqueço-te. Finjo. Porque me dóis, porque me és urgente e eu não posso saber de ti. Sei demais. Sofremos juntos o mesmo adeus.

Tira-me daqui.
Posto isto surges e afinal és tudo ainda.
Vai.
Por favor.

17 junho 2007

The more you trust and open yourself to another, the more power you give the other to deeply hurt you. With great power comes great responsability.
Spiderman quote
So DAMN true.

03 abril 2007

É oficial...

PERIGO AO VOLANTE! :)

31 março 2007

A minha vida é um carrossel

de emoções e sentimentos.

30 março 2007

Posso?

Olhar para dentro do teu coração e ver se as nossas almas ainda estão de mãos dadas, ambas com medo que a fugacidade da vida e a brevidade do tempo nos leve para longe um do outro e fique tanta coisa por dizer, ou partilhar... ?

28 março 2007

10 Things I Hate About You


"I hate the way you talk to me.

And the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car.
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots.
And the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick
- it even makes me rhyme.
I hate the way you're always right.
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh
- even worse when you make me cry.
I hate it when you're not around.
And the fact that you didnt call.
But mostly I hate the way I don't hate you
- not even close,

not even a little bit,
not even at all."

25 março 2007

No Limite

Só quero arrumar numa gaveta as fotografias e os teus retratos de mim. Fica o cheiro dos dias vazios nos braços um do outro, fica o calor do teu cigarro nas páginas do meu livro.
You've been playing bowies with me, haven't you?

01 março 2007

Perfect Proposal

Look, I guarantee there'll be tough times. I guarantee that at some point, one or both of us is gonna want to get out of this thing. But I also guarantee that if I don't ask you to be mine, I'll regret it for the rest of my life, because I know, in my heart, you're the only one for me. Marry me!
in Runaway Bride

19 fevereiro 2007

O que é que acontece quando alguém nos desilude ao ponto de perdermos a confiança que depositavamos nessa mesma pessoa?

"Até ao dia em que uma pessoa se cansa (...) e diz agora basta. Basta de espera, de abnegação, de sonhos, de palavras mágicas e inconsequentes. Basta de promessas de amor, de castelos de areia, de adiamentos e hesitações, de ausências e de dúvidas."

São aqueles que mais gostamos, que maior capacidade têm de nos magoar.

Agora basta.
Até quando?

11 fevereiro 2007

Para que conste:

a mim, só me mentem uma vez.

06 fevereiro 2007

- Há várias formas de levar uma relação para a frente – dizia o Luís enquanto preparava uma sanduíche de queijo e fiambre, depois de chegarmos da praia. – Eu, por exemplo, ponho-me a jeito e deixo-me ir. O tempo vai-me dando indicações subtis se de facto um entusiasmo inicial pode ou não levar a qualquer coisa mais consistente, e nem sequer penso o que é que vai ser. A isso, os Americanos que têm grande sentido prático e são bons em expressões chamam dar um Let Go. Mas tu não. Tu passaste a vida a carregar pianos.
- Pois passei. A vida toda. Desde o dia em que me apaixonei pelo palerma da terceira classe, depois pelo primo direito da minha amiga Paula, depois pelo Miguel que não me ligava nenhuma e passava o tempo a jogar futebol e ténis. E depois, por mais meia dúzia de caramelos a quem tive o azar de achar alguma graça. Paixões de adolescência. Começam do nada e acabam em nada porque nada valem, a não ser enquanto duram, às vezes com a vida mais curta do que uma mosca. Paixões impossíveis, que nos tiram o sono e o apetite, nos põem a contar as estrelas e a escrever poemas pirosos, nos fazem rezar mesmo quando já deixámos de ir à missa desde os doze anos, nos adoçam o coração e o olhar e enchem a almofada de água salgada quando as coisas correm mal, ou pior ainda, não correm.

Depois uma pessoa cresce e habitua-se a sofrer. A esperar. A sonhar um bolo gigante a partir de três migalhas. A acreditar no impossível. A desejar o impensável. A querer que aqueles que amamos nos tragam o mundo numa bandeja. A isto chama-se carregar pianos. Até ao dia em que uma pessoa se cansa, baixa os braços, olha para o piano, encolhe os braços e diz agora basta. Basta de espera, de abnegação, de sonhos, de promessas, de palavras mágicas e inconsequentes. Basta de promessas de amor, de castelos de areia, de adiamentos e hesitações, de ausências e de dúvidas. E depois, o mundo vai abaixo. As casas, os prédios, as pontes, tudo se desfaz num estrondo imenso e assustador, que faz quase tanto barulho como um coração a bater com a porta. E como é o nosso coração que está a bater a porta, ainda custa mais.

E sentimo-nos a desmanchar por dentro. Não é a partir, é só a desmanchar, como se nada tivesse forma ou fizesse sentido. E o piano está ali mesmo em frente, à espera de ser carregado. Dá vontade de pegar num martelo e de o destruir de raiva. Dá vontade de o abrir e tocar meia dúzia de notas. Dá vontade de descansar sobre ele e falar-lhe baixinho, ao ouvido das cordas, para lhe explicar o que se passa. Que o cansaço já está acima do sonho, que o medo está acima da força, que a vontade comanda a vida, mas não o amor. Explicar que o tempo há-de trazer nos ventos a indicação de um caminho qualquer para onde o piano possa ir sem ser carregado.
Carregar pianos. Escada acima, quatro andares sem elevador. As costas doem, os braços tremem, as curvas na escada são uma equação impossível de resolver. Tudo é difícil. Tudo é esforço. Tudo é inglório. E o amor transforma-se numa luta, num sacrifício, somos mártires da nossa loucura, flagelados pela nossa obstinação e teimosia. E o pior é que, quando chegamos ao fim da batalha e o piano está lá em cima, não era naquela sala, nem naquela casa, nem era aquela pessoa.
Carregar pianos. Para quê, se quase todos têm rodinhas? Não é desistir, é só mudar de vida e esperar que ela nos traga o(s) que mais precisamos, sem partir as costas nem torcer os braços.
E geralmente até traz.

29 janeiro 2007

Laranjas no ar

Pega no telefone e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são secos, frios e áridos, como um deserto imenso, sem oásis nem miragens, sempre que não estão juntos. Pega no telefone e liga-lhe. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele. Não te alongues nem elabores, os homens nunca percebem o que queres deixar cair nas entrelinhas. Tens de ser clara, directa, incisiva. E não podes ter medo, porque o medo é o maior inimigo do amor. Cada vez que deixares o medo entrar-te nas tuas veias, ele vai gelar-te o sangue e paralisar-te os nervos, ficas transformada numa estátua de sal e morres por dentro.
A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias? Nunca se sabe como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo: pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele te vai ajudar, tenho a certeza que ele, à sua maneira - e é tão estranha a forma como os homens gostam de nós - ainda gosta de ti. Mesmo que já não te ame, ainda gosta de ti, como tu vais aprender a gostar dele, quando a vida te obrigar a desistir deste amor. Ele está longe, mas olha por ti por entre memórias, presentes e flores. À noite, entre sonhos alterados pelo álcool, tu apareces-lhe na cama e ele volta a sentir o cheiro da tua pele e volta a amar-te com todas as suas forças. Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro.
Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, qual malabarista exausto, sem saberes nem como nem quando elas vão cair. Mais vale chorar a tristeza de um amor perdido do que sonhar com um oásis que se transformou numa miragem.
Pega no telefone e liga-lhe. Liga as vezes que forem precisas até conseguires uma resposta, a paz de uma certeza, mesmo que essa certeza não seja a que desejavas ouvir. Mas não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão. O circo é para quem não tem casa nem país, não é vida para ninguém. Guarda as laranjas num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa. E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho.
Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo.

In Diário da tua ausência,
Margarida Rebelo Pinto

Escreveste-o para mim, não foi Margarida?
[Que fazer? Estou naquela fase a puxar para o romance piroso! É de cordel, eu sei, um cordel muito Moda Lisboa, muito Cascais e Foz, muito somos chiques e temos imenso visa. Mas hoje, sem duvida que encaixou!]

26 janeiro 2007

Estado de Espírito:

Irremediávelmente TRISTE e tao FARTA...

22 janeiro 2007

Nem toda a distância é ausência.
Nem todo o silêncio é esquecimento.
10 dias.

17 janeiro 2007

E depois há aqueles que, tão cheios de nós, nos pressentem mesmo longe. Mesmo sem nós pedirmos ou querermos – porque ás vezes sabe bem guardar(-nos) e esconder as fragilidades - decifram os nossos detalhes e desenham-nos sorrisos.

16 janeiro 2007

De há uns meses para cá, eu sou só SAUDADES.
tuas.
- Não podes ver, é só meu!, dizia ela, agarrando com força o pequeno baú trancado a sete chaves.
- Mas nós somos melhores amigos, e a minha mãe disse-me que quando assim é não há segredos.
- Então mentiu-te. A minha sempre me ensinou que os melhores amigos não existem. Um dia estão contigo e no outro já não querem saber de ti.
- Mas eu estou contigo todos os dias.
- Naquela tarde, quando caí da bicicleta, não...!
- Já era tarde e eu tinha que ir fazer os T.P.C's... mas levei-te no coração...!

- ... E se eu te disser que o baú não tem nada?
- Eu acredito.
- Então fica o nosso segredo?

13 janeiro 2007

Perguntou para não lhe pesar a consciência:
- Como estás?
Mais uns segundos, e insiste:
- Como estás?!
- Cheia de R-a-i-v-a!, gritou ela. E logo a seguir soltou um suspiro desesperado. Depois foi o silêncio. Silêncio ensurdecedor. Ele ia abrir a boca de novo, mas ela logo a tapou com a mão suada, em forma de concha.
- Não digas mais nada.
- Mas…
-Por favor…, suplicou com as lágrimas quentes a encherem-lhe os olhos. Ele tentou agarrá-la pelo braço, mas ela empurrou-o. Corou. E, num soluço tímido, virou costas. Virou costas, e nunca mais regressou àquele lugar só deles. “Nunca, nunca, nunca…”, ecoa no velho relógio da memória.