13 janeiro 2007

Perguntou para não lhe pesar a consciência:
- Como estás?
Mais uns segundos, e insiste:
- Como estás?!
- Cheia de R-a-i-v-a!, gritou ela. E logo a seguir soltou um suspiro desesperado. Depois foi o silêncio. Silêncio ensurdecedor. Ele ia abrir a boca de novo, mas ela logo a tapou com a mão suada, em forma de concha.
- Não digas mais nada.
- Mas…
-Por favor…, suplicou com as lágrimas quentes a encherem-lhe os olhos. Ele tentou agarrá-la pelo braço, mas ela empurrou-o. Corou. E, num soluço tímido, virou costas. Virou costas, e nunca mais regressou àquele lugar só deles. “Nunca, nunca, nunca…”, ecoa no velho relógio da memória.

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