16 novembro 2007

Super Pai

Eu sei que pode parecer cliché, mas o meu pai é o melhor pai do Mundo. E não, não é por eu ser praticamente uma fotocópia dele (sim, que eu sei que os óculos na ponta do nossos narizes são um pormenor determinante), mas ele tem mesmo o interior mais bonito que eu conheço… no que concerne a homens. Não que eu seja feminista, longe de mim. Mas por norma – diz-se por aí! – que os homens são uns crápulas, uns insensíveis, calculistas e dissimulados (tive há pouco tempo uma desilusão amorosa e ainda estou a ultrapassá-la, nota-se muito?!). Mas não vamos fugir ao cerne da questão: o meu pai. Sereno e sempre muito discreto, conquista qualquer pessoa com o seu bom coração. Ponderação é a palavra de ordem daquele Senhor. Sim, porque ele é um Senhor. Foi ele que me deu coragem e incentivo nas minhas lides escolares e, ainda hoje, fico fascinada quando me surge alguma dúvida (de temática tão vasta como de culinária a política) e ele me responde como se fosse dado adquirido. Podia ficar horas a ouvi-lo falar e a absorver toda aquela informação. Sei que é com ele que posso falar das minhas viagens: por livros, filmes, exposições e pessoas. Partilhar angústias, culpas, ressentimentos e alegrias; porque sei que há sempre uma palavra de conforto daquele lado e um orgulho ENORME por me poder chamar filha. Olho para ele e acho-nos tão iguais… excepto no bigode: e eu juro-vos que há qualquer coisa de mágico naquele “acessório” que em miúda me fazia rir e agora que cresci não o consigo imaginar sem ele. Acho que, e agora que os anos passaram, eu sou a lenda viva do jovem com objectivos e mais que muitas perspectivas risonhas relativas ao futuro que ele foi. Por isso me ajuda a abrir as asas e voar, cada vez mais longe e mais alto. E eu sinto que lhe custa muito deixar a menina dos olhos dele crescer. Mas a vida é mesmo assim Papá.
Hoje em dia, já cm o peso dos anos sobre os ombros e algum cansaço, a paciência continua a ser ao quilo e a vontade de aproveitar os bons momentos também… mas de forma moderada, que para loucuras está cá a filha.

Sempre disse que um dia, quando encontrar alguém, vou saber que essa pessoa é A tal por ter a mesma maneira de ser e de enfrentar a vida como o meu pai. E daí talvez não, que o coração tem razões que a própria razão desconhece – como dizia o nosso Pascal – e, infelizmente, já não há príncipes.

A minha admiração por ti vai ser eterna.

1 comentário:

Tangerina disse...

Sabes aqueles imans pirosos p encher a porta do frigorifico com frases feitas? Encontrei um com esta: "Um dia encontrarei o meu príncipe mas o meu pai será sempre o meu rei".

Não sei se existem principes. Se algum dia existiram. E como tu, não gosto de clichés nem de frases feitas, mas gosto da verdade e contra factos não há argumentos. Tens o melhor pai do mundo. :)