01 novembro 2004

Durante a noite.

Percorro a casa, morna e escura; encaminho os pés desnudos pela alcatifa mole; procuro a claridade. Na janela encontro luzes de uma qualquer cidade - não, o brilho das estrelas não é o mesmo, e o cheiro da madrugada afasta-se das minhas memórias. Coimbra, penso, tem um brilho incomparável, e todas as cores contrastam com a minha alma. O cheiro, as gentes, as ruas apertadas, a confusão dos dias, o rio, o coração a viajar com as mãos no volante. Coimbra - Coimbra - na "minha" cidade tudo brilha e tudo é sempre sol, e quando a noite cai mil sorrisos inundam as ruas onde sempre mergulho. Aqui, quase sempre é noite e mal aprendi a nadar. Aqui, apetece-me riscar os tectos e escrever o teu nome em todos os cantos. Coimbra - deixa chover - amo cada das pedras das tuas calçadas, e sonho os meus pés desnudos sobre elas. Lembro-me do Mondego, dos meus olhos soltos na água, das mãos dadas aos amigos, da casa, da família, do coração a brilhar contigo.
Coimbra, só Coimbra.
Coimbra e todas as palavras não chegam para dizer que só a ti pertenço.

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