19 novembro 2005

Aproximamo-nos da tua casa. Páro. Tu puxas-me de imediato, com as mãos a fervilhar de desejo: "anda(!)"; e continuamos então a caminhar, colados um ao outro, por entre arrepios e suores lânguidos.
A noite foi longa. Bem longa. Alimentámo-nos apenas dos nossos risos e beijos no meio da multidão e da fumaça. Sinto-me sem forças.
Deixo-me cair na tua cama: tu usas o meu corpo como se fosse o teu e eu deixo-me levar por essa tua loucura inata. Acordo forçosamente com a luz do sol. Espreguiço-me. Olho em volta e encontro-te a meu lado. Não acredito que aquele cenário seja verdadeiro. Fecho os olhos e volto a abri-los: tu continuas lá. Levanto-me apressadamente e percorro o quarto em busca da minha roupa, espalhada, perdida. Visto-me tão rápido que a camisola fica do avesso. Não há tempo para mudar.
Procuro a saída da tua casa. Insistentemente. Desisto. Encosto-me a uma das paredes brancas da tua sala, ainda por mobilar, e len-ta-men-te escorrego até me sentar no chão frio. Baixo a cabeça, passo os dedos pelo cabelo e questiono-me sobre o porquê de fugir de ti.
Sorrio timidamente e, enquanto dispo a roupa, volto para o quarto, onde ainda dormes. Nua, deito-me cuidadosamente ao teu lado, percorro a curva do teu peito e sinto o calor da tua respiração. Abraço-te com força para que não consiga fugir mais nenhuma vez, pelo menos... por instantes.
- "Onde ias borboleta?"
- Voar, para longe. Voar.
["eu sou de ninguém, eu sou de todo o Mundo e todo o Mundo é meu também."]

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