- (…) tenho tantas saudades tuas… caramba! Será que não vês?! Tenho saudades da tua ingenuidade de menina-mulher já cheia de saber, do teu sorriso tímido quando diante de alguém que não conheces, da tua vontade de ver os outros felizes. Tenho saudades da tua doçura e do teu olhar meigo por baixo das mexas de cabelo escuro. Tenho saudades da tua teimosia e da tua racionalidade, tantas e tantas vezes traída pelo coração. Tenho saudades dos teus beijos carregados de ternura, de quando me agarravas com força e eu, secretamente, sabia que era com medo de me perderes. Tenho saudades da tua insegurança e do teu empurrar os óculos, qual intelectual estereotipada, para o alto do nariz. Tenho saudades do teu franzir de sobrancelha quando não aprovas algo e da tua serenidade na praia a olhar o mar. Tenho saudades Marta… tenho tantas saudades quando te punhas em bicos dos pés para me beijares o nariz e depois te rias muito. Tenho saudades daqueles dias em que falavas por mim e por ti e daqueles outros em que só pedias para te dar miminhos porque não estavas bem, e eu respeitava o teu silêncio. Tenho saudades da tua energia quando saíamos à noite, do brilho do teu cabelo ao sol, de quando partíamos sem rumo ás 10 da manhã e só regressávamos ás 22 da noite. Tenho saudades da tua determinação e de saberes tão bem aquilo que queres. Tenho saudades de quando, frágil, choravas e o meu coração ficava pequenino. Tenho saudades de todas as noites adormecer com a tua voz, de percorrer 400 km num dia só para te sentir, de proteger essas asas de borboleta que só mostras a quem queres. Tenho saudades dos teus amuos quando algo te deixava triste e tu não querias dizer. Tenho saudades do teu perfume, de teres sempre resposta para tudo e de ler as palavras mais bonitas escritas por ti. Tenho saudades de quando fixavas o olhar em mim, de quando acordava e te tinha a dormir tranquilamente ao meu lado, de como te preocupavas comigo e... sei lá, das coisas mais simples como dar-te a mão. Tenho saudades de nós. Tantas, tantas..
- E eu tuas. Mas num patamar bem diferente.
Cresci tanto: sou mais eu, muito mais. E não é que o meu coração já não tenha espaço para ti, muito pelo contrário. Mas a vida e as circunstâncias levaram-nos para longe; os cheiros, os momentos, os sabores e as gentes tornaram as coisas bem mais claras na minha cabeça.
E eu tenho tantos sonhos. E tantas vontades. Tantas certezas.
Hoje... já não te sinto. Já não te oiço.
- E eu tuas. Mas num patamar bem diferente.
Cresci tanto: sou mais eu, muito mais. E não é que o meu coração já não tenha espaço para ti, muito pelo contrário. Mas a vida e as circunstâncias levaram-nos para longe; os cheiros, os momentos, os sabores e as gentes tornaram as coisas bem mais claras na minha cabeça.
E eu tenho tantos sonhos. E tantas vontades. Tantas certezas.
Hoje... já não te sinto. Já não te oiço.
Já não nos vejo.
- ...
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