29 outubro 2005

Aluguei-te um quarto de mim e abri-lhe uma janela virada para o sol. Queria partilhar contigo todos os cantos e oferecer-te a caixinha perfumada dos meus sonhos. Talvez não tenhas visto o anúncio ou, quem sabe, eu ficava muito longe dos locais que, habitualmente, frequentas.

Não te mudaste. Visitaste-me apenas.

E ficaste tão pouco que nem o teu aroma resistiu. Só ficou o tal sorriso, aquele que condizia com os teus olhos, que me chamou de menina-mulher e que ainda procuro


esquecer.

26 outubro 2005

Em qualquer lado, onde quer que eu vá, levo no corpo o desejo de TE abraçar.

20 julho 2005

Conversa com um Menino de seis anos
Menino: "O mar é transparente. Não é nem verde, nem azul."
E eu, feito espertinho, virei-me para ele e disse-lhe "Ai é? Então porque é que eu o vejo azul?"
Responde-me ele: "João, é o reflexo do céu!."
Eu, ainda não totalmente convencido, ripostei: "Então e quando o mar é verdinho, ãh?"
Resposta pronta: "Amarelo e azul dá verde, certo?"
Eu: "Sim..."
Ele: "Então... É naquela zona mais costeira, onde o reflexo do céu se confunde com a cor da areia. E fica verde!."

14 julho 2005

- Porque tapas o olhar no momento em que digo que te quero?

- Não tapo o olhar. Protejo a alma.

- Mas... porquê?

- Para não ma roubares!

- Porque achas que ta vou roubar?

- Porque no dia em que deixei o peito a descoberto, tu conseguiste levar-me o coração.

06 julho 2005


Amei-te mal!
Não compreendi tudo o que representas. Se ao menos te tivesses revelado antes, para que esta descrença relativamente à tua beleza, fosse totalmente desvanecida e contrariamente difundida... Mas insistiram em afastar-me do teu conhecimento, insistiram em tapar-me a vista com a rudeza das tuas arrestas, sem me mostrarem a pureza desse âmago verdadeiro, directo e tão fiel. Agora, a tua escuridão estarrece-me a consciência, a tua perfeição, fugida dos parâmetros estéticos das novas cidades modernas e amplas, confunde-me as sensações: os segredos que escondes, as paixões que encerras e as estórias que seguras, fazem com que valha a pena atravessar-te, de noite ou de dia, só para te viver Coimbra.

05 julho 2005

Ele - Porque não?
Ela - Pensei que éramos ambos feitos de tecidos muito diferentes.
Ele - Do género, tu atrevida e eu tímido?
Ela - Não, do género, tu ingénuo e eu não.

in Não-digo!

19 janeiro 2005

Silêncio que não incomodas.

Shiuuu...lê a minha mente, limita-te a ler. Não precisas da minha voz para saberes como me sinto, o que quero, o quanto te anseio e amo. Apenas lê. Decifra o silêncio que te desamparo nesta sala negra, sozinho, só o silêncio.
Aprende.
Shiuuu...não pronuncies absolutamente nada. Fecha os olhos e ausculta o sussurro da nossa respiração, o pular frenético de um coração que te acompanha em cada compasso.
O silêncio, apenas o silêncio.
Não o acorde de uma melodia perdida nas malhas do tempo. Não o suspiro desprendido de um corpo feminino abandonado. Nem o bater vitorioso das asas de um pássaro que combate o medo do primeiro voo.
O silêncio. Apenas esse e não o sapateado das vidas que nos rodeiam.
Nada. Só o vazio. Só o eco dos nossos corações mais estrepitosos que nunca. Só tu e eu com o silêncio entre nós, não arquitectando uma barreira inultrapassável mas sim sustentando uma ponte, um elo entre dois mundos frívolos.
Não incomoda.
[O silêncio entre duas pessoas deixa de incomodar quando ambas se conhecem e se amam plenamente. O silêncio transparece sempre os mais sinceros sentimentos, as mais sentidas declarações, os mais puros e inocentes olhares...é no silêncio que se ouve a voz do outro, o murmúrio do coração alheio.]

11 janeiro 2005

Segredo.

Ainda me lembro das minhas gargalhadas quando, em miuda, num dos muitos Natais que já lá vão e tanta saudade deixam, a minha avó me estendeu os braços e ofereceu um embrulho colorido. Disse apenas é para ti, querida.

E toda eu sorri.

Com os olhos a brilhar e a curiosidade de criança a pulsar pelos sentidos, abri, desenfreadamente, o envolucro.

Sempre gostei muito dos presentes que ela gentilmente me dava. Sabia que demoravam muito tempo a ser elaborados e que neles depositava todo o carinho que nutria por mim. Por isso me dava tanto prazer, e tanto orgulho, recebê-los.

Quando ela dizia o meu nome, apressava-me a passar por entre os meus primos com um banco seguro entre mãos, punha-me bem no alto dele, no centro da sala - para que todos me pudessem ver - e com um sorriso rasgado recebia os mimos ternos que tinha para me dar.

É um doce esta minha avó. E naquele dia não foi excepção.

O laço era dourado e o papel vermelho - como a côr do fato do Pai Natal, murmurei. Invadida por algum nervosismo momentaneo, bem como por uns pózinhos de expectativa, destrui tudo: em poucos segundos o laço estava desfeito no chão e eu tinha nos braços a boneca de trapos mais bonita do Mundo.

É a tua cara – disse-me ao ouvido.

E era mesmo. As mechas de cabelo escuro atropelavam-se sobre uns enormes olhos castanhos em forma de avelã; o sorriso, esse era sincero, espontaneo; e os braços estavam abertos, para receber e guardar todos os amigos com quem me fosse cruzando.

É assim que ela me vê.

Atentou, até mesmo, a pequenos (grandes!) pormenores como o cuidado de ”me” vestir de cor de rosa, porque era a minha cor preferida; e os pés estavam descalços porque dizia que não havia maior felicidade do que ver-me a chapinhar, qual pata de água doce, nas pequenas poças de água que se acumulavam no pátio, nas gélidas manhãs de Inverno.

Cresci. Amo o calor e todas as cores que o arco-iris emana. Mas continuo a rever-me na boneca de trapos. Sempre que me perco, e não posso recorrer à minha querida avó, abraço-a com força e a tempestade logo passa, as núvens tranformam-se em sol e o que antes era névoa fica claro como água.

Afinal, há mesmo coisas que nunca mudam: eu, ela e este nosso pequeno segredo.

14 dezembro 2004

Alguém.

Olhas para o céu e pensas se alguém também o faz nesse exacto momento, se alguém sente o que tu sentes, se alguém acredita nos mesmos detalhes que te fazem sorrir, se alguém se rege pelos mesmos credos, se o vento faz alguém dançar, se a chuva cobre as lágrimas de alguém, se esse raio de sol aquece outra alma, se...
Será que alguém pensa agora como tu?
E há um aroma que te lembra de viver, e há um som que se chama silêncio, e há uma mão que também é a tua mão e a mão de alguém, ao mesmo tempo. Um coração que te completa. Uma lua e um sol lá em cima que brilham para mais que um alguém.
Receita para hoje e sempre:
Pó de estrelas, Sorrisos e UM Alguém.

09 dezembro 2004

Olho para dentro de mim,
sinto-me
vazia.

06 dezembro 2004

(L)

Pego no telemóvel e aviso-te que cheguei. A mensagem é curta e objectiva: “estou no Couraça, vens cá ter?”. O fumo dos cigarros baralham os meus pensamentos e, em silêncio, estremeço quando penso na possibilidade de rever os TEUS olhos azuis rasgados e o contraste das mexas de cabelo escuro que teimam pôr-se à frente deles. A conversa desenrola-se e eu estou longe. No entanto, e como sempre, sorrio.
“Já lhe mandaste a mensagem?”
“Sim”, respondo convicta. Mas… qual foi a pergunta mesmo?

QUE RAIVA. Tens este efeito em mim (D.): mesmo longe consegues ocupar-te da minha mente e deixar-me assim (D.), estupidamente distante e ansiosa (D.).

O tempo passa e continuo a não ver qualquer vestígio de ti, a não ser cá dentro, do lado da saudade, do carinho e da ternura. Ainda me lembro da primeira vez que nos cruzámos: nesse dia eu ainda estava desperta para o que me rodeava. Passeava-me, qual borboleta, pela sala do bar quando tu entraste para felicitar um amigo comum. Os meus sentidos dispararam quando te debruçaste sobre mim para cumprimentá-lo. Cheiravas bem.

“Marta! Oh Marta! Não achas?!”
“Hum?.. Sim, sim! Claro!” Mais uma vez, e mesmo longíssimo dali, a conversa desenrolava-se. Falavam agora de marcas de telemóveis: de como os nokia ganhavam aos pontos os siemens – os piores do mercado porque se desligam, apagam, congelam… enfim.
A mesa redonda deixava espaço suficiente para que pudéssemos tomar café calmamente, sem que os braços se atropelassem. A verdade é que, se estivesses ali, até nem me importava que a mesa fosse apertada, para de alguma forma, sentir o teu corpo contra o meu. Mas não estavas. Não estavas e eu também não. Culpa tua.

Subitamente faltou a luz, “deve ter sido um qualquer problema com o quadro…” concluímos. E ficámos ali, ás escuras, a brincar com os isqueiros e com as luzes dos telemóveis. E o meu pensamento dispersou de novo: recordaste quando foste ter ao DD só para me ver? Combinaste tudo com eles e apareceste. Eu fiquei tão feliz e nervosa que durante toda a noite só te dirigi um mero olá, e tu, igualmente nérveo, balançavas-te para a frente e para trás com a mão no bolso das calças, sorrindo e olhando-me de soslaio. Adoro quando estás inquieto. Ficas inseguro e doce como ninguém. Eu não – fico trapalhona: à saída deixei cair todas as moedas da carteira e enfiei o pé esquerdo numa poça de água. Fiquei tão envergonhada que nem me despedi de ti, meti-me no carro e só quando cheguei a casa te mandei uma mensagem a pedir desculpa.

“Pagas os cafés?”
“Está bem, mas depois vocês pagam as minis, ok?”
Pelos vistos estávamos de saída. E tu, nada. Estava tão triste que nem me apetecia seguir noite dentro com eles, mas fui. Abstrai-me de ti, por momentos, e fui.

Passou o domingo, e o meu regresso a Lisboa estava marcado para poucas horas mais tarde. Estava super cansada, mas nem dormi na viagem.

Mania que vocês, Homens, têm de ser tão desprendidos.

[adorei o telefonema D., prometes que ligas mais vezes?]

29 novembro 2004

Tantas vezes quis dizer amo-te e não disse.
Tantas vezes quis ouvir da tua boca que o amor não acaba como acabam os barcos no infinito, quis abraçar-te num pranto e só deixei cair os braços no desespero de uma conformação por algo que eu sabia efémero, mesmo quando me davas a mão e dizias amo-te, ou quando me abraçavas e me prometias o amanhã.
Quantas vezes quis pedir-te para não deixarmos o tempo secar o orvalho das manhãs, nem as ondas apagarem as nossas pegadas.
Tantas vezes perguntei o que é o amor? e ninguém me soube responder... E afinal o amor é só isto: uma alma assaltada e um coração roubado.
E podia muito bem ter dito já que me assaltaste a alma, toma bem conta do meu coração.

22 novembro 2004

Gota a Gota.

Folha a folha vai
O Outono a cair,
Letra a letra escrevo
O que hás de ouvir.

Longe de ti
Só posso inventar,
Olhos nas nuvens
Sempre a mudar,
Sentindo o vento
Chuva no ar,
No ar ...

Gota a gota cai
A chuva no mar,
Passo a passo sei
Onde quero estar.

Olhos nos olhos
A mão na mão,
Sentindo o vento
Sentindo o chão,
Se gosto de ti
Porque não?


Gota a Gota - Xutos e Pontapés
[longe mas sempre p e r t o, D.
Será?]

21 novembro 2004

Eu & Tu = Nós?!

O filme que passa no televisor faz-me sentir cada vez mais o cansaço apoderar-se de mim. Enrolada numa manta de quadrados vou aquecendo o meu corpo por si e vou adormecendo junto à almofada e junto ao teu braço que me acompanha toda a parte superior das costas. O sofá é demasiado pequeno para os dois, volta e meia está um quase a cair no chão, é nessa altura que o outro estica o braço e entre sorrisos e quase quedas nos beijamos até cair.
No chão rebolamos como crianças, tens o mau hábito de me fazeres cócegas e eu tenho o péssimo hábito de não conseguir parar de rir. Fazemos do chão frio um areal, e da noite um momento único e especial para ambos.
Normalmente levas-me para a cama entre braços, com cuidado para que não acorde, com leveza para que não me desmanche, sempre com a preocupação de não me partires as asas transparentes e invisíveis de Borboleta em que acreditas.
Hoje não há troca selvagem de beijos, nem fazer amor, há uma troca de olhares e um sorriso ao nosso cobertor de ternura. Há um penetrar nesse imenso oceano azul onde me perco e há um entrelaçar de dedos em algumas madeixas escuras de cabelo, em movimentos desconexos e desconcentrados.
Entre carinhos e carícias soltam-se palavras e frases e nasce uma conversa, daquelas conversas que nos ocupam horas e horas e que nos levam por entre reviravoltas e consentimentos até de madrugada, onde adormecemos exaustos.
Falamos sobre Amor mas não somos românticos. Jantamos normalmente com velas e a luz da sala e do quarto é ténue, ligamos a pormenores como o embater dos raios de Sol no cortinado amarelo mas não festejamos o dia dos namorados, nem os meses de namoro, não achamos que as datas têm de ser comemoradas apenas porque sim e ainda bem. No Inverno gostamos de caminhar pelo parque e de dar pontapés nas folhas caídas, gostamos de levar o cão a passear embora vá normalmente sozinha. Gostas de acordar tarde assim como eu gosto de me deitar tarde. Quem disse que quem ama tem ciúmes? Eu não tenho ciúmes. Tu não tens ciúmes. E é desta premissa que nasce toda uma relação.
Gosto de sair contigo porque me divirto mais. E tu também. Temos muitas amizades em comum. Mas ás vezes saímos separados: não gosto de te arrastar e de te fazer sentir deslocado tal como também não gosto que tu mo faças, por isso é com leveza que aceitamos as nossas diferenças de gostos e de opiniões. Quando olham para ti, te pedem um número, te oferecem um copo não me chateio, nem gelo por dentro, nem tenho medo sequer. Confio em ti e acredito em mim. Não temos a petulância de achar que somos insubstituíveis, ninguém é. Se um dia um de nós partir, alguém chegará e a Vida voltará a ser bonita e laranja novamente. Não há que ter medo, não há que evitar, não há que esgotar o Universo de Possibilidades que nos rodeia. Não nos fechamos nem nos poupamos a novas descobertas. Acreditamos sempre que é possível algo melhor.
Nunca nos chateamos. Nunca te ouvi gritar. E quando me zango ouves-me com respeito até ao fim. És o meu contar até 10. No teu silêncio acalmo-me sempre e fico exausta depois de ter dito tudo o que queria dizer sem dares luta. Geralmente dás-me razão o que me faz sorrir por dentro. A isso ainda juntas umas palavras de admiração pela minha capacidade argumentativa o que me faz derreter de orgulho. Gostamos de andar de mãos dadas, detestamos alianças, eu gosto de andar no Body Pump e tu gostas de bodyboard.
No Verão passamos muito tempo na praia, jogo futebol com eles, lembras-te das bolhas que fiz nos pés no ano passado? Foste comigo comprar as minhas sapatilhas e em vez de me criticares pelo meu sonho de consumo fútil e estúpido sorriste-me e disseste que era a 'miúda mais gira do Mundo'. Não falamos sobre nós com ninguém. Ambos somos poços de segredos onde os fiéis amigos depositam as suas verdades. Eu não sei que segredos escondes. Tu também não sabes dos meus. Não somos um. Somos dois. Não somos perfeitos. Somos imperfeitos demais. Bebes cafés e fumas. Eu só bebo cafés. Gostas de me ver de botas altas e eu gosto de andar de tennis – ás vezes faço-te a vontade. Não gostas de dar nas vistas e eu também não. Tens olhos azuis e és moreno, eu sou morena de olhos escuros. Não gosto de marisco e tu gostas. Não acreditamos na eternidade mas pensamos no Futuro.
O Amor para mim é isto.
O Amor para ti é isto.
Fazemos sentido juntos mas somos pessoas sós.
Respeitamo-nos.
Sabes o que somos?
Somos acima de tudo amigos que um dia quiseram experimentar o Amor...

[A beleza da escrita está em sermos nós próprios mesmo quando não o somos verdadeiramente; mas isso ninguém precisa de saber.]

20 novembro 2004

Gostos.

À medida que amadurecemos os nossos gostos mudam:

As meninas gostam de bonecas pintadas & os meninos de soldados.


Quando c r e s c E M,


algumas mulheres gostam de soldados


e alguns homens de bonecas pintadas.

19 novembro 2004

note :

for those
who never cared

I won't look back.

10 novembro 2004


Yes. Indeed. Once upon a time i was a respected & married woman.
Things change.

07 novembro 2004

Fabrica de sonhos

Um dia, quando finalmente crescer e me vir confrontada com a triste realidade de que os príncipes não existem e o Pai Natal se resume a um estratégico golpe de publicidade, vou criar a minha FABRICA DE SONHOS. Vou, passo a passo, construí-los e moldá-los. Dar-lhes magia, música e encanto. Vou colori-los de todas as cores e vou voar. Vou sossegar o meu coração junto de estrelas mágicas, nuvens voadoras e circos da lua e do sol. Vou fazer o meu tempo e preenchê-lo de cheiros, sabores, momentos e instantes. Vou semear sorrisos, desenhar afectos e colher abraços. Vou denunciar a felicidade e prender o amor.

Vou.

Vou e não volto, um dia.

03 novembro 2004

Primeiros passos

Num pulo, coloco-me fora da cama, abro a janela e ponho os pés no gélido chão da varanda. A rua está adormecida sob os reflexos dourados que trespassam o eucalipto, um leve véu de nívea neblina paira sobre os campos e algumas estrelas persistem num céu de uma incontável paleta de tons de azul, rosa e amarelo. Dos outros prédios obtenho como resposta um amontoado de persianas brancas corridas até baixo. Não passam de uma cambada de energúmenos, encerrados nas suas fúnebres gaiolas, reclusos da sua auto-imposta deplorável rotina diária, desprezando os momentos mais belos do dia, adorando o berrante sol.
Numa pachorrenta mandriice, descerro lentamente os olhos e fixo-os no tecto cor de madrugada. Os primeiros raios da aurora penetram pelas cortinas, fazem ricochete no espelho e provocam engraçados jogos de luz e cor no crepúsculo do quarto. Observo a madrugada dissolvendo-se, escorrendo pelas paredes alvas, escondendo-se debaixo da cama. Sorrio, estou na fase mais doce do dia, na ténue fronteira entre a ficção e a realidade. A fantasia envolve todos os objectos e acontecimentos, tornando mágico o matinal chilrear dos pássaros, o sonoro baloiçar do enorme eucalipto, o gotejar da velha fonte. Fecho os punhos, aperto-os contra a nuca e, num demorado bocejo, deixo o sono fugir de mão dada com o sonho.

02 novembro 2004


Desculpe, era 1 kg de tempo por favor. Posted by Hello