Eu gosto do Verão, a sério que gosto. Uma pessoa morre de calor no trânsito, anda com sono e cansada, toda a gente está sempre a ir ou a chegar de férias, anda tudo com boa cara, vai-se muito à praia, as roupas diminuem consideravelmente e sai-se bem mais à noite…já para não falar no bronzeado…! O pior é o resto. É que o calor torra os miolos, refoga os neurónios e frita a lucidez. Com o calor vem a estupidez natural que durante o Inverno viveu hibernada na cabeça da rapaziada, e que tem a ver com o interesse carnívoro pela “raparigada”.
Eu explico: imaginem a Luísa, a vossa vizinha do quinto direito, a cruzar-se convosco à entrada do prédio num fim de tarde de Inverno: ela vem branca, desgrenhada, com o rímel esborratado, uma gabardina pingona, um guarda-chuva que lhe molha as suas botas ao ponto de as transformar numas galochas, e uma camisola de lã, quase pelo joelhos, que a transforma num saco de batatas mal cheio. São sete da tarde, mas já é noite, está um frio de rachar e só apetece chegar a casa, pegar numa mantinha e vegetar em frente à televisão. - Adeus Luísa, até ao qualquer dia. E pronto, não se pensa mais no assunto.
Mas agora é Verão e vocês cruzam-se com a mesma Luísa, numa tarde encalorada de Julho, à entrada do prédio. A Luísa entra de shorts, sandálias de tacão, uma T-shirt que lhe marca o peito e a cintura, o cabelo mais claro, a pele luminosa do bronze e pior do que tudo isto, com um bocadinho de areia no pescoço e nos tornozelos que lhe dá um toque divinal. Se vocês tiverem mesmo com azar – ou com sorte – atrás da Luísa aparecem, quais cogumelos, duas amigas tão ou mais giras do que ela, com características semelhantes. E o que é que vocês dizem? - Olá Luísa, não queres passar lá por casa para beber qualquer coisa? Aproveito e dou-te o CD que me emprestas-te. E enquanto esperam a resposta, torcem os dedos para que ela não se lembre de perguntar qual é o CD, porque nem mesmo vocês sabem.
As Luísas são uma praga sazonal. Elas estão em toda a parte, saltam-nos para debaixo dos pneus nas passadeiras, atravessam-se-nos nas cadeiras do cinema, cruzam-se nas escadas dos centros comerciais, sentam-se ao nosso lado nos restaurantes e a rapaziada fica desorientada. E o pior é que o mundo está apinhado de Luísas de todos os tamanhos e nacionalidades, o que deixa a rapaziada ainda mais confusa. Apetece-lhes logo praticar o inglês e outras línguas, mostrar às Luísas Turistas o charme da Torre de Belém e a beleza da serra de Sintra. Comprar-lhe queijadas e, quem sabe, uma toalha de Viana que fica lindamente na mesa de aglomerado que ela tem lá no apartamento dela nos arredores de Amsterdão. As Luísas são seres estupidamente felizes que conseguem estar sempre a rir e mostrar pouca inteligência. Adoram dançar até às tantas e metem-se nos copos com grande facilidade. Fumam que nem uma chaminé e estão sempre a perder isqueiros, o que faz com que se aproximem da rapaziada para pedir lume com rapidez e garbo.
As Luísas são uma praga para nós, raparigas absolutamente normais que nem sequer olhamos para os Luíses se o nosso coração está ocupado, porque os homens, ao contrário das mulheres, gerem os afectos de forma, digamos assim, mais democrática. Ou seja, a presença factual e puramente acidental de uma Luísa pode trazer-lhe prazer, estímulo e alguma cor à existência sem detrimento da condição mais ou menos vitalícia da namorada. O que fazer?
Eu tenho uma teoria: O Creme Nívea não é o creme mais antigo do mundo? Não é um clássico? E não continua na moda? Então esta é a solução: há que ter uma postura Creme Nívea, encolher os ombros à concorrência e pensar, eu já cá estava, antes e depois das modas, eu sou o Creme Nívea da vida dele e hei-de continuar a ser.
Espalhem-no bem e bom resto de férias.
Eu explico: imaginem a Luísa, a vossa vizinha do quinto direito, a cruzar-se convosco à entrada do prédio num fim de tarde de Inverno: ela vem branca, desgrenhada, com o rímel esborratado, uma gabardina pingona, um guarda-chuva que lhe molha as suas botas ao ponto de as transformar numas galochas, e uma camisola de lã, quase pelo joelhos, que a transforma num saco de batatas mal cheio. São sete da tarde, mas já é noite, está um frio de rachar e só apetece chegar a casa, pegar numa mantinha e vegetar em frente à televisão. - Adeus Luísa, até ao qualquer dia. E pronto, não se pensa mais no assunto.
Mas agora é Verão e vocês cruzam-se com a mesma Luísa, numa tarde encalorada de Julho, à entrada do prédio. A Luísa entra de shorts, sandálias de tacão, uma T-shirt que lhe marca o peito e a cintura, o cabelo mais claro, a pele luminosa do bronze e pior do que tudo isto, com um bocadinho de areia no pescoço e nos tornozelos que lhe dá um toque divinal. Se vocês tiverem mesmo com azar – ou com sorte – atrás da Luísa aparecem, quais cogumelos, duas amigas tão ou mais giras do que ela, com características semelhantes. E o que é que vocês dizem? - Olá Luísa, não queres passar lá por casa para beber qualquer coisa? Aproveito e dou-te o CD que me emprestas-te. E enquanto esperam a resposta, torcem os dedos para que ela não se lembre de perguntar qual é o CD, porque nem mesmo vocês sabem.
As Luísas são uma praga sazonal. Elas estão em toda a parte, saltam-nos para debaixo dos pneus nas passadeiras, atravessam-se-nos nas cadeiras do cinema, cruzam-se nas escadas dos centros comerciais, sentam-se ao nosso lado nos restaurantes e a rapaziada fica desorientada. E o pior é que o mundo está apinhado de Luísas de todos os tamanhos e nacionalidades, o que deixa a rapaziada ainda mais confusa. Apetece-lhes logo praticar o inglês e outras línguas, mostrar às Luísas Turistas o charme da Torre de Belém e a beleza da serra de Sintra. Comprar-lhe queijadas e, quem sabe, uma toalha de Viana que fica lindamente na mesa de aglomerado que ela tem lá no apartamento dela nos arredores de Amsterdão. As Luísas são seres estupidamente felizes que conseguem estar sempre a rir e mostrar pouca inteligência. Adoram dançar até às tantas e metem-se nos copos com grande facilidade. Fumam que nem uma chaminé e estão sempre a perder isqueiros, o que faz com que se aproximem da rapaziada para pedir lume com rapidez e garbo.
As Luísas são uma praga para nós, raparigas absolutamente normais que nem sequer olhamos para os Luíses se o nosso coração está ocupado, porque os homens, ao contrário das mulheres, gerem os afectos de forma, digamos assim, mais democrática. Ou seja, a presença factual e puramente acidental de uma Luísa pode trazer-lhe prazer, estímulo e alguma cor à existência sem detrimento da condição mais ou menos vitalícia da namorada. O que fazer?
Eu tenho uma teoria: O Creme Nívea não é o creme mais antigo do mundo? Não é um clássico? E não continua na moda? Então esta é a solução: há que ter uma postura Creme Nívea, encolher os ombros à concorrência e pensar, eu já cá estava, antes e depois das modas, eu sou o Creme Nívea da vida dele e hei-de continuar a ser.
Espalhem-no bem e bom resto de férias.
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