14 novembro 2009

Ainda guardo esta palavra para um momento especial.

Chega a ser irónico porque, embora em momentos da minha estória tenha julgado que A palavra se afigurava perfeita para sussurar à pessoa em causa e para exprimir o que eu julgava sentir, o alguém a quem ela caia que nem uma luva, por completo, ainda estava para chegar.
No antes, faltou sempre o quase. Foi sempre um quase - amor, creio.
Foi, mas não volta a ser.
Quero dizê-lo com uma certeza sólida, olhando à minha volta e percebendo que é mesmo aquilo, que é impossível a vida desenhar-se mais doce. Ao achar que só quero aquela pessoa, e jamais alguma outra; que a desejo; e que lhe deixo, com todos os átomos do meu corpo, assaltar a minha alma e me levar o coração.
Tenho por hábito dizer que, quando repetimos muitas vezes as mesmas palavras, corremos o risco de lhes minimizar a importância, de as banalizar, de lhes tirar o sentido. Penso que cada vez consigo banalizar menos esta. Talvez porque sou outra pessoa (maior, mais sabida e mais sentida) a viver as coisas, a senti-las com outro afinco, clareza, e intensidade. É também por essa razão que sei que, quando, desta vez a disser, ela vai ser ideal para traduzir o meu sentir. Naquele momento, incomparável, eterno, não poderá fazer mais sentido. Como se sempre tivesse guardado em mim o incrível sabor de sentir aquilo, e só naquele dia realize que tudo o que sentia era passível de se resumir numa simples palavra. E que essa palavra, finalmente e de verdade, pode e deve ser dita.
Sinto que vai ser assim. E sentir é uma forma de saber.

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